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Saúde

Depressão reduz libido feminina

Tanto a doença quanto o tratamento podem afetar o interesse sexual e comprometer a qualidade de vida

São Paulo - Para as mulheres, depressão é sinônimo de tristeza, isolamento social e desânimo. Essa foi a resposta dada por 78% das 1,1 mil mulheres entrevistadas pelo Instituto Ibope em oito cidades da América Latina. Mas a depressão pode ter outras consequências. De acordo com a psiquiatra Carmita Abdo, coordenadora do Projeto Sexualidade (ProSex) do Hospital de Clínicas da Universidade de São Paulo (USP), é preciso também estar atento a sintomas funcionais que podem estar associados à doença, como fadiga, distúrbios do sono, déficit de atenção, alteração de peso e disfunção sexual, caracterizada principalmente pela perda da libido.

No Brasil, estima-se que existam 17 milhões de pessoas com depressão, o equivalente a 10% da população. A doença atinge até duas vezes mais mulheres do que homens. Nelas, os principais gatilhos para a sua manifestação são as doenças psicossomáticas – como fibromialgia, artrite, síndrome do cólon irritável – e as flutuações hormonais.

O ciclo reprodutivo da mulher tem grande impacto no desenvolvimento da depressão. Entre 3% e 8% das mulheres apresentam sintomas da doença durante o período pré-menstrual, 7% e 26% durante a gravidez e 10% e 15% durante o período pós-parto. Durante a menopausa, entretanto, o risco de o mal se tornar crônico é maior. Nessa fase, o corpo da mulher tem menos condições de reagir aos estímulos externos e internos. Há uma diminuição dos hormônios estrogênio – responsável pela cognição e pela saúde da pele e dos ossos – e testosterona, responsável pelo desejo sexual.

"Hoje em dia, com o aumento da longevidade, a menopausa é universal, atinge todas as mulheres em torno dos 52 anos. E os seus sintomas se confundem muitas vezes com os sintomas da depressão", explica Carmita.

Os homens não sofrem tanto com a perda hormonal. De acordo com a psiquiatra, "não existe andropausa para o homem saudável", que perde apenas 1% de testosterona por ano.

Tratamento

Uma vida sexual plena e satisfatória é um importante marcador de qualidade de vida, mas costuma ser negligenciada pelas mulheres que, ao contrário dos homens, precisam de diferentes estímulos para se sentirem preparadas para o ato sexual e, por isso, já costumam demonstrar menos interesse.

Um levantamento realizado com 1.272 mulheres que procuraram o ProSex entre 2002 e 2008 revela que 51% não sentiam desejo. Dessas, 40% estavam ou já estiveram em tratamento para depressão.

Embora o tratamento seja fundamental para curar ou ao menos aliviar os sintomas da depressão, muitos antidepressivos disponíveis no mercado não agem na melhora da disfunção sexual, pelo contrário, podem até agravar a perda ou a diminuição da libido. "Tanto a doença quanto os medicamentos que estimulam a liberação de serotonina comprometem a resposta sexual porque causam um desequilíbrio dos neurotransmissores – dopamina, norepinefrina e serotonina – que regulam o humor, a cognição e o comportamento humanos", explica Carmita Abdo.

Um estudo publicado no Journal of the American Medical Association (Jama) revelou que a disfunção sexual atinge de 30% a 70% dos pacientes que tomam antidepressivos, o que leva ao abandono do tratamento antes de completar um mês.

Novidade

Um novo antidepressivo, desenvolvido pela Wyeth Indústria Farmacêutica, e que começou a ser comercializado no Brasil no início do ano, pode ser uma resposta para aqueles que preferem conviver com a doença do que com os efeitos colaterais dos medicamentos. "O Pristiq (succinato de desvenlafaxina) interfere muito menos na libido porque é um antidepressivo dual, que libera não só serotonina como também noradrenalina e, por isso é mais eficaz na melhora dos sintomas emocionais, físicos e funcionais da doença", explica a médica Cláudia Gasparin, gerente do departamento de saúde mental do laboratório.

Por não ser totalmente metabolizado pelo fígado, o Pristiq também apresenta baixa interação medicamentosa e menor índice de outros efeitos colaterais como ganho de peso e náusea.

* A repórter viajou a convite do laboratório

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