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Tragédia

Desabamentos matam 3 pessoas em Salvador

Prédio de sete andares, em obras, cai e atinge casa vizinha. Casarão histórico também não resiste às chuvas

Escombros do prédio em construção: obra não tinha alvará | Margarida Neide/Agência A Tarde/AE
Escombros do prédio em construção: obra não tinha alvará (Foto: Margarida Neide/Agência A Tarde/AE)

Três pessoas morreram, três ficaram feridas e uma está desaparecida depois que dois prédios desabaram, em Salvador (BA), neste fim de semana, por causa da chuva que atinge a cidade desde o início do mês. Os bombeiros concentram as buscas a um homem que, segundo informações, ficou sob os escombros de um prédio em obras de sete andares que ruiu no bairro de Pernambués na noite de sábado e atingiu a casa vizinha. O homem seria o vigia do prédio. O corpo dele não havia sido encontrado até o início da noite de ontem.

Duas crianças, de 7 e 8 anos, foram resgatadas com vida e conscientes da casa vizinha, momentos depois do desabamento, mas a mãe delas, Nívea Moura, não conseguiu escapar com vida. O corpo dela foi localizado na tarde de ontem. Um homem que seria primo de Nívea, de 19 anos, que também estava na casa, morreu.

A Superintendência de Con­trole e Ordenamento do Uso do So­­lo do Município de Salvador (Su­­com) informou ontem que a em­­presa responsável pela construção do prédio, a Marques Lima Cons­tru­­ções Ltda., não tinha alvará para a edificação da obra. O órgão estuda as medidas que serão tomadas por causa da irregularidade. Segundo os vizinhos, o edifício es­­tava pronto, mas ainda não havia moradores no local.

Na hora do desabamento, chovia muito na região e uma encosta localizada atrás do prédio teria cedido, empurrando toda a estrutura. A Defesa Civil de Salvador (Codesal) informa que as investigações sobre as causas do desabamento serão iniciadas depois que o trabalho de retirada das vítimas for concluído.

Os responsáveis pela Marques Lima Construções não foram en­­contrados para comentar o caso.

Casarão

Em outro desabamento, de um casarão tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), na Ladeira da Conceição da Praia, no Centro Histórico de Salvador, ocorrido na madrugada de sábado, uma mulher morreu e três homens ficaram feridos. Um deles, Elielson dos Santos Oliveira, de 40 anos, passou 22 horas soterrado e teve de amputar parte do antebraço. O local era alugado para garotas de programa.

Segundo a Defesa Civil de Sal­va­­dor, o imóvel havia sido periciado pelo órgão, no ano passado, e considerado como de alto risco de desabamento, por causa da falta de manutenção estrutural, em do­­cumento enviado ao Iphan. De acordo com as equipes da Codesal, outros imóveis da região também correm o risco de ruir, pelo mesmo motivo.

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), choveu, desde o início do mês, mais do que o dobro do esperado para julho inteiro em Salvador. Até ontem, foi registrada a precipitação de 443,5 milímetros na estação de medição do instituto, enquanto a média histórica é de 184,9 milímetros.

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