
Três pessoas morreram, três ficaram feridas e uma está desaparecida depois que dois prédios desabaram, em Salvador (BA), neste fim de semana, por causa da chuva que atinge a cidade desde o início do mês. Os bombeiros concentram as buscas a um homem que, segundo informações, ficou sob os escombros de um prédio em obras de sete andares que ruiu no bairro de Pernambués na noite de sábado e atingiu a casa vizinha. O homem seria o vigia do prédio. O corpo dele não havia sido encontrado até o início da noite de ontem.
Duas crianças, de 7 e 8 anos, foram resgatadas com vida e conscientes da casa vizinha, momentos depois do desabamento, mas a mãe delas, Nívea Moura, não conseguiu escapar com vida. O corpo dela foi localizado na tarde de ontem. Um homem que seria primo de Nívea, de 19 anos, que também estava na casa, morreu.
A Superintendência de Controle e Ordenamento do Uso do Solo do Município de Salvador (Sucom) informou ontem que a empresa responsável pela construção do prédio, a Marques Lima Construções Ltda., não tinha alvará para a edificação da obra. O órgão estuda as medidas que serão tomadas por causa da irregularidade. Segundo os vizinhos, o edifício estava pronto, mas ainda não havia moradores no local.
Na hora do desabamento, chovia muito na região e uma encosta localizada atrás do prédio teria cedido, empurrando toda a estrutura. A Defesa Civil de Salvador (Codesal) informa que as investigações sobre as causas do desabamento serão iniciadas depois que o trabalho de retirada das vítimas for concluído.
Os responsáveis pela Marques Lima Construções não foram encontrados para comentar o caso.
Casarão
Em outro desabamento, de um casarão tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), na Ladeira da Conceição da Praia, no Centro Histórico de Salvador, ocorrido na madrugada de sábado, uma mulher morreu e três homens ficaram feridos. Um deles, Elielson dos Santos Oliveira, de 40 anos, passou 22 horas soterrado e teve de amputar parte do antebraço. O local era alugado para garotas de programa.
Segundo a Defesa Civil de Salvador, o imóvel havia sido periciado pelo órgão, no ano passado, e considerado como de alto risco de desabamento, por causa da falta de manutenção estrutural, em documento enviado ao Iphan. De acordo com as equipes da Codesal, outros imóveis da região também correm o risco de ruir, pelo mesmo motivo.
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), choveu, desde o início do mês, mais do que o dobro do esperado para julho inteiro em Salvador. Até ontem, foi registrada a precipitação de 443,5 milímetros na estação de medição do instituto, enquanto a média histórica é de 184,9 milímetros.



