
O capitão dos portos do Maranhão, Nelson Calmon, descartou a possibilidade de o graneleiro da Vale do Rio Doce naufragar por causa das avarias sofridas no terminal portuário de Ponta da Madeira. Informou ainda que duas fissuras próximas à superestrutura do navio na parte traseira da embarcação (popa) provocaram uma diferença de quatro metros entre a parte traseira e a dianteira do navio. Os técnicos trabalham para estabilizá-lo. A embarcação correu risco sério enquanto estava atracado porque se o casco tocasse o fundo da baía, poderia se partir. "Mas esse risco está descartado", disse o capitão.Uma vistoria externa feita ontem por técnicos do Ibama, em São Luís (MA), no navio graneleiro que está com uma rachadura na estrutura, não detectou, ao menos visualmente, vazamentos de óleo ou minério de ferro. O navio Vale Beijing, fretado pela Vale para transporte de minério, está atracado em um dos berços do Terminal Ponta da Madeira, que pertence à Vale. A chefe da fiscalização do Ibama no Maranhão, Taíse Ribeiro, disse que a empresa terá de enviar ao órgão relatórios diários informando sobre a situação do navio.
Na noite de sábado, durante a operação de carregamento de minério, houve um ruptura em um dos tanques de lastro do navio (que dá estabilidade à embarcação), o que permitiu a entrada de água no seu interior. Bombas internas estão fazendo continuamente o esgotamento da água, o que está mantendo a flutuação da embarcação, segundo a Capitania dos Portos do Maranhão.
Operação de salvamento
Ontem chegaram a São Luís técnicos da coreana STX PanOcean, dona do navio, para avaliar o dano e buscar uma solução. Segundo a chefe de fiscalização do Ibama, o fato de a mineradora não ser a proprietária do navio não a exime de responsabilidades no episódio. O navio tem 292 metros de comprimento, 45 de largura e 23 de calado (medida vertical do casco abaixo da linha dágua) quando com carga máxima.
Segundo nota da Capitania dos Portos, o Vale Beijing, que teve um dos tanques de lastro danificados na madrugada de sábado, foi desatracado ainda carregado com 360 mil toneladas de minério de ferro e levado para uma área localizada a seis milhas náuticas do porto, mas ainda dentro da baía de São Marcos.
A embarcação foi levada para uma das áreas de fundeio da Baía de São Marcos, para ser reparada sem riscos para a navegação. Duas equipes da Capitânia dos Portos do Maranhão, técnicos especializados em salvamento marítimo vindos da Holanda e da Coreia do Sul participaram da operação que mobilizou quatro rebocadores e outras embarcações.



