
As obras no Centro de Curitiba trouxeram mais uma novidade nesta semana: foram descobertos outros sítios arqueológicos, dessa vez durante o restauro e revitalização do Paço Municipal, na Praça Generoso Marques. Fotografias e levantamentos históricos levaram os pesquisadores a crer que se trata de restos arquitônicos do antigo Mercado Municipal, que funcionou no local de 1874 até 1914, quando começou a construção do Paço, inaugurado em 1916.
Segundo o arquiteto responsável pela obra, Humberto Fogassa, da construtora Emadel Engenharia, a idéia é deixar o sítio arqueológico em exposição permanente, assim como aconteceu com a antiga calçada da cidade encontrada na Praça Tiradentes. Além do piso de ladrilho hidráulico, há vestígios de pequenas pilastras e paredes do antigo Mercado. Fogassa lembra que o Paço foi erguido a partir da construção do Mercado, como se um tivesse sido feito dentro do outro. "À medida que levantavam as paredes do Paço, as paredes do mercado foram derrubadas. Elas serviram como uma espécie de tapume", diz. A questão é que a base do antigo Mercado permaneceu, porque o Paço foi feito um metro acima do antigo piso. O Paço Municipal deve abrir a partir de janeiro do ano que vem, quando a população poderá ter acesso ao sítio arqueológico. No local funcionará um novo centro cultural, administrado pelo Serviço Social do Comércio (Sesc) e pela Fundação Cultural de Curitiba.
Um pouco de história
Os colonos começaram a comercializar seus produtos inicialmente na Praça Zacarias, que era conhecida como a Praça da Ponte. Mudaram para a atual Generoso Marques porque teriam um mercado mais amplo para o comércio. O Mercado foi construído em cima das ruínas de um antigo quartel. A nova construção era simples, térrea, com cerca de dez divisórias.
A historiadora Aparecida Vaz da Silva Bahls, pesquisadora da Fundação Cultural de Curitiba, lembra que a ida dos colonos para a praça mudou o entorno da cidade, que estava abandonado. O largo ficou conhecido como Praça do Mercado e as salas passaram e ser alugadas para esses colonos, em sua maioria imigrantes portugueses, alemães, italianos e alguns brasileiros.
O custo de cada salinha poderia chegar a 30 mil contos de réis. "Quem ocupava os quiosques internos também pagava imposto sobre as mercadorias. O problema é que, externamente, o mercado foi ocupado por vendedores ambulantes, o que gerou confusão desde aquela época", diz. O Mercado funcionava das 5 às 21 horas.



