
O Paraná está entre os cinco estados do país que conseguiram oferecer uma educação básica pública com mais igualdade. Um estudo divulgado ontem pelo movimento Todos Pela Educação mostra que a diferença entre o ensino oferecido pelas escolas com maior e menor Índice de Educação Básica (Ideb) reduziu em 12,1% no estado entre os anos de 2005 e 2009. O resultado paranaense é contrário da tendência nacional. As diferenças entre o desempenho das escolas aumentaram em 14 das 27 redes estaduais nos anos finais do ensino fundamental.
A análise é feita com base nos dados do Ideb, medidos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais (Inep), do Ministério da Educação. O Ideb é um indicador da qualidade da educação básica que leva em conta o desempenho obtido pelos alunos e a taxa de aprovação escolar. No estudo divulgado ontem, as médias dos estados e municípios é dividido pelo número de escolas e o resultado comparado com a dispersão das escolas. "O Ideb médio pode mascarar uma situação grande de desigualdade. Neste indicador podemos ter uma escola com uma nota muito alta e outra muito baixa, localizadas num mesmo estado ou município. Nosso estudo ajuda o gestor público a pensar em políticas diferenciadas para reduzir estas diferenças", declara o presidente do Todos Pela Educação, Mozart Neves Ramos.
Na análise dos municípios foram considerados somente os que têm 15 ou mais escolas com Ideb medido em 2005 e 2009, o que resultou num total de 205 redes. Deste total, em 124 cidades houve um aumento na diferença de desempenho entre as escolas. No Paraná, das 23 cidades onde foi possível fazer este cálculo, em 17 as diferenças entre o desempenho das escolas diminuiu (veja o infográfico). Entre eles, Curitiba, que diminuiu a desigualdade educacional em 11,3%. Telêmaco Borba foi o município que mais se destacou, reduzindo a desigualdade em 41,1%.
Avaliação questionada
De acordo com a secretária de Educação de Curitiba, Eleonora Bonato Fruet, um aspecto que não foi levado em consideração na pesquisa, mas é importante para compreender o bom resultado de Curitiba, é o número total de escolas da rede municipal de outras cidades paranaenses analisadas. "É mais difícil igualar a qualidade da educação em uma rede maior", afirma. Segundo a secretária, o resultado é fruto de um trabalho que busca não apenas a qualificação, mas a igualdade na rede de ensino da capital. " O ensino tem que ser bom em todas as escolas, independentemente da localização ou da classe social que ela atende", explica.
Para a secretária de estado da Educação, Yvelise Freitas de Souza Arco-Verde, o resultado era esperado. "Nós sempre tivemos como meta a universalização da infraestrutura. Laboratórios, prédios, livros, ou seja, oferecemos condições iguais para que a evolução ocorresse, para que fosse possível trabalhar a educação com mais igualdade. Nós privilegiamos os mais necessitados, adotamos uma política de protecionismo para aquelas escolas e alunos que precisavam mais", justifica.
Na opinião do professor Ângelo Ricardo de Souza, coordenador do programa de pós-graduação em Educação da Universidade Federal do Paraná (UFPR), o Ideb não é um índice que mede a qualidade do ensino. "Preocupa-me esse pragmatismo de que temos que trabalhar para melhorar a nota do Ideb. Acredito que a importância concedida às notas serve apenas para mascarar a realidade da qualidade da educação no Brasil. É muito fácil melhorar a nota no Ideb, é só treinar os alunos. O Ideb não mede o conhecimento, o aprendizado", ressalta. De acordo ele, para melhorar a educação brasileira, é necessário que os gestores invistam na formação e nos salários dos professores. "A melhoria da educação não é instantânea, é um processo de médio a longo prazo. É necessário que os problemas recebam melhores salários e recebam uma formação continuada", conclui.



