
Foz do Iguaçu - O Paraná possui cerca de 250 estações para monitorar a qualidade da água dos rios. Dentro desse trabalho, a cada três meses, técnicos fazem incursões nos rios e coletam informações. Mas o monitoramento não se reflete ainda em ações de despoluição, porque o estado não dispõe de recursos para recuperar os rios comprometidos. A cobrança de uma taxa dos grandes usuários pelo uso da água, que ainda não começou no estado, é uma das fontes de verbas que podem vir a financiar projetos nessa área.
A Superintendência de Desenvolvimento dos Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental (Suderhsa) é o orgão responsável pelo monitoramento da água no estado. Conforme análises feitas, os rios mais poluídos do Paraná concentram-se na região metropolitana de Curitiba, na chamada Bacia do Alto Iguaçu. Entre eles estão o Belém, o Barigui e o Atuba. Os rios mais limpos estão na Serra do Mar, em áreas de proteção ambiental.
A Suderhsa recebe recursos da Agência Nacional de Águas (Ana) e da Copel para fazer o monitoramento dos rios. Técnicos e ambientalistas aguardam o início da cobrança pelo uso da água, prevista na Lei Federal 9.433, para que o estado angarie recursos e inicie o processo de recuperação das bacias hidrográficas.
O engenheiro Emílio Trevisan, diretor de Recursos Hídricos da Suderhsa, salienta que o pagamento pelo uso da água não é um imposto, mas sim uma contribuição dos usuários dos recursos hídricos, entre eles, a Sanepar, a Petrobras e a Copel, que será revertida na recuperação dos rios. "É um dinheiro que vai ser gerido pela população, usuários e governo", diz.
A cobrança deve ser proposta no plano das bacias hidrográficas do estado, que está em elaboração, e ainda precisa ser aprovada pelo Comitê de Bacias e pelo governador. Não há data definida para o início da cobrança. Outra mudança prevista, já em tramitação na Assembleia Legislativa, é a criação do Instituto das Águas do Paraná (Ipaguás), que substituirá a Suderhsa.
Poluição
Enquanto os recursos não chegam, o estado tenta controlar a poluição nos rios. Segundo o engenheiro e chefe do Departamento de Hidrologia da Sudersha, Edson Manassés, a poluição e a sujeira dos rios devem-se às ocupações urbana e industrial. A poluição industrial é mais controlada porque há fiscalizações nas empresas, embora haja indústrias clandestinas de fundo de quintal que conseguem driblar a fiscalização.
Já a poluição urbana, que tem como principais vilões o lixo, os resíduos sólidos, óleos e graxas que são levados aos rios pela chuva, é mais difícil de ser coibida porque depende de inúmeras ações a serem tomadas a longo prazo, incluindo o plantio de matas ciliares e contenção do solo por meio de cobertura vegetal. Há também outro tipo de poluição urbana, que é a do esgoto doméstico cuja maior parte é coletada, embora o grau de tratamento varie entre 40% e 80%.
A fiscalização dos recursos hídricos cabe ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP). Os técnicos recebem as informações colhidas pela Suderhsa e fazem intervenções, quando preciso. O estado ainda conta com outras 700 estações especializadas na coleta de dados quantitativos sobre a água, ou seja, o nível e a vazão.




