Em alguns casos, a falta de comunicação entre o médico e o paciente acaba tendo conseqüências graves. Por conta de um diagnóstico errado, a engenheira civil Nara Wendling sofre hoje com problemas de pulmão e de circulação na perna esquerda, e precisou passar por uma cirurgia de hérnia no último mês.
Em novembro de 2004, sentindo dores no abdome, dirigiu-se até o pronto-atendimento de um hospital de Curitiba, onde foi atendida por um clínico geral. "Expliquei a situação, disse que estava com dores e o médico fez um rápido exame, apertou a minha barriga e disse que era infecção urinária", diz.
Segundo a engenheira, o médico fez a avaliação antes de receber os exames de urina e de sangue solicitados. Conta ainda que o profissional que a atendeu foi embora, pois era hora da troca de turno. "Fiquei esperando o resultado, outra médica depois me disse que realmente era infecção urinária e me receitou um antibiótico."
Nara tomou a medicação e mesmo assim não melhorou. Quatro dias depois foi a outro hospital, onde os médicos pediram novos exames. "Eles me disseram que o resultado do exame anterior estava alterado, como se fosse uma infecção muito forte." Por conta das dores, Nara passou a noite internada. Na manhã seguinte, já na sala de cirurgia, os médicos descobriram que na verdade o que ela tinha era apendicite.
A infecção urinária e outras infecções que se espalharam pelo corpo eram decorrentes desse problema. "Durante a cirurgia, a minha pressão caiu e tive uma parada cardíaca" relata. Depois disso, ela ainda passou uma semana em coma, ficou um mês na UTI e mais um mês internada em observação. (CV)



