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Diáspora negra

Duas cores, duas medidas

A melanina é uma proteína com a função de definir a cor da nossa pele, mas acabou, quem diria, tornando-se responsável também pela variação dos valores no contra-cheque dos trabalhadores de Curitiba e região metropolitana. Ainda que tenham o mesmo nível educacional, na mesma atividade ou posto de trabalho, trabalhadores negros ganham menos do que os brancos. É o que revela pesquisa feita em setembro pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Social (Ipardes). O simples fato de nascer preto ou pardo pode reduzir os rendimentos pela metade na maioria dos empregos na capital paranaense e nas cidades vizinhas.

Esta parcela da população ganha, em média, 60% do salário dos brancos. A maior diferença está nos setores de educação, saúde, serviços sociais e administração pública, nos quais os negros recebem em média 47% do rendimento das pessoas de pele clara. A renda média mensal dos pretos e pardos que trabalham por conta própria (R$ 588,29) corresponde à metade do ganho dos brancos (R$1.151,00). A menor diferença está nos serviços domésticos, com margem de 5%. A maior participação de negros está na construção civil (16%) e serviços domésticos (12,8%). Nos demais setores, a participação cai para 9%.

Quanto maior a escolaridade, maior a diferença na renda. Brancos com 11 anos ou mais de estudo ganham, em média, R$ 1.480,21 por mês, enquanto negros com a mesma escolaridade recebem R$ 907,58. Nesta categoria, que vai do nível médio completo à pós-graduação, 85% dos pretos e pardos só tinham o nível médio, índice que cai para 65% entre os brancos. Dos empregados com carteira assinada no setor privado, 90,3% eram brancos e 9,6%, negros. Entre os trabalhadores sem carteira assinada, a participação branca cai para 87,4%. Portanto, há mais brancos com melhores salários e também com maior proteção legal do que os negros. (MK)

Leia mais sobre quilombolas na edição de amanhã.

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