Confira o relato de J., 37 anos, empresária:
"Foram oito anos de relacionamento, e dois de agressões. Ele tinha comportamento exaltado, mas se tornou violento mesmo na época em que começaram os problemas financeiros. Passou a beber mais, a usar outras drogas e a trocar o dia pela noite. Em casa, estava sempre dormindo ou estressado e desconfiado. Era ciumento, controlador e possessivo. Começou com xingamentos, e então passou a me apertar, me jogar contra a parede, tomando cuidado para não me deixar com marcas. Quando eu não queria fazer sexo, ele esmurrava as portas e me estrangulava.
Eu tinha muito medo, pois ele dizia que ia me matar e sumir com minha filha, que tinha 2 anos na época. Algumas pessoas tentaram me ajudar, mas ele ameaçou a babá da nossa filha e até o pai idoso de uma amiga, que me acolheu uma vez. Cheguei a pedir ajuda para os pais dele, mas não acreditaram em mim. Ainda o amava e achava que aguentando essa fase, conseguiria fazer com que ele saísse das drogas. Você nunca quer admitir que fez a escolha errada, que seu relacionamento fracassou, isso também fazia com que eu relutasse.
Quando fui à delegacia, estava com marcas pelo rosto e pelo corpo, mas o delegado era conhecido dele e não me deixou prestar queixa. Constantemente me sentia humilhada e sozinha. Chegou um momento em que eu só conseguia que parasse de me agredir quando colocava a minha filha no colo. Tinha muito medo de que ela crescesse com traumas. Mas então ele pedia desculpas, se mostrava arrependido e prometia mil coisas.
Há quatro anos consegui fugir com a minha filha e viemos morar em Curitiba. Ainda tenho insegurança, baixa autoestima e vários bloqueios sexuais. Levei um bom tempo para conseguir voltar a namorar. Meu namorado diz que quando me conheceu eu era fechada e desconfiada. Fui me soltando aos poucos, mas ainda falta muito."



