
Começou ontem, no Fórum de Santo André (Grande São Paulo), o julgamento de Lindemberg Alves Fernandes, 25 anos, acusado pela morte da ex-namorada Eloá Pimentel em 2008. A jovem Nayara Rodrigues da Silva, amiga que foi mantida em cárcere junto com Eloá por Lindemberg, afirmou durante depoimento que Eloá disse ter certeza de que a intenção do ex-namorado era matá-la. "A Eloá falava o tempo todo que sabia que ia morrer", disse Nayara. Em seguida, Nayara foi ouvida por cerca de 40 minutos pela juíza Milena Dias. Ela seria ainda inquerida pela promotora e pela advogada de defesa.
Durante o depoimento, Nayara disse que Lindemberg bateu em Eloá e que o réu alternava nervosismo e tranquilidade. Segundo ela, Lindemberg dizia que Eloá tinha sido injusta ao terminar o relacionamento e que ele iria se vingar. De acordo com Nayara, Lindemberg assistia às reportagens na televisão e se vangloriava da repercussão que o caso ganhara. Ao ver as reportagens, ele se intitulava o "príncipe do gueto", segundo a testemunha.
O julgamento teve a apresentação de reportagens exibidas por emissoras de tevê na época do crime. A advogada de Lindemberg, Ana Lúcia Assad, já havia dito que tinha a imprensa e a polícia como seus principais alvos durante o júri. Segundo ela, os dois contribuíram para a tragédia.
Antes do início das exibições, a juíza Milena Dias autorizou a inclusão da mãe e do irmão de Eloá na lista de testemunhas de defesa. Foram dispensadas cinco testemunhas, entre elas a apresentadora da Rede TV! Sônia Abrão, que entrevistou Lindemberg ao vivo enquanto Eloá era mantida em cárcere privado.
Na chegada ao fórum, a advogada afirmou que seu cliente estava calmo e tranquilo. "Espero que os jurados venham desarmados, prontos para receber a versão do menino [Lindemberg]. Ele é um bom rapaz, trabalhador, tinha dois empregos. Toda história tem duas versões", afirmou.
Retrospectiva
Inconformado com o fim do relacionamento com Eloá, de 15 anos, Lindemberg invadiu armado o apartamento onde a garota morava com os pais. O cárcere privado durou mais de cem horas. Nesse período, outros três amigos de Eloá foram mantidos reféns. No dia 18 de outubro, o Grupo de Ações Táticas Especiais da Polícia Militar invadiu o local. Lindemberg atirou na ex-namorada e em Nayara. Eloá morreu a caminho do hospital.



