
São Paulo - O envio irregular de 99 contêineres de lixo do Reino Unido para os portos de Santos e Rio Grande do Sul, no Brasil, originou uma investigação internacional. Mas esse tipo de operação que parece absurda a importação de lixo ocorre com mais frequência do que se imagina e de forma legal.
O Brasil importou, oficialmente, 223 mil toneladas de lixo de outros países desde janeiro de 2008, a um custo de US$ 257,9 milhões. No mesmo período, o país deixou de gerar cerca de US$ 12 bilhões com a reciclagem de 78% dos resíduos sólidos gerados em solo nacional, mas desperdiçados no lixo comum o país recicla apenas 22% do seu lixo, muito menos do que a capacidade de absorção da indústria nacional, que compra das recicladoras o material, usado como matéria-prima na fabricação de roupas, carros, embalagens, entre outros.
Mesmo importando, as 780 empresas de reciclagem brasileiras, hoje, atuam com 30% da capacidade ociosa por falta de matéria-prima, segundo dados da Plastivida Instituto Socioambiental dos Plásticos. A falha está na coleta e separação do lixo, atribuição das prefeituras, segundo a Constituição. Apenas 7% dos 5.564 municípios brasileiros têm um sistema efetivo de coleta seletiva.
Mais de 40% do PET reciclado é absorvido pela indústria têxtil na fabricação de fios e fibras de poliéster duas garrafas se transformam em uma blusa ou carpete para carro. O Brasil teria condições de fornecer todo esse PET, se não desperdiçasse 50% do material no lixo comum, por falta de coleta seletiva. Enquanto sobravam garrafas PETs boiando no poluído Rio Tietê, na capital paulista, o Brasil teve de importar 14 mil toneladas do material no ano passado, 75% a mais do que em 2007. A carência do produto e o aumento da demanda pela indústria têxtil e automobilística fez com que o preço da tonelada disparasse no mercado nacional, equiparando-se ao valor do importado, entre R$ 700 e R$ 900. "Se existisse uma política nacional de reciclagem não era preciso Bolsa Família. O dinheiro do lixo renderia aos brasileiros o mesmo benefício, além de emprego", ironiza o presidente do Instituto Brasil Ambiente, Sabetai Calderoni, autor do livro Os Bilhões Perdidos no Lixo e consultor da Organização das Nações Unidas para a área ambiental.



