
O excesso de peso atinge 40% da população brasileira e deixa de ser um problema apenas de foro particular. Associado a problemas de saúde como a hipertensão e doenças do coração, o sobrepeso preocupa administradores públicos e não é para menos, já que o gasto anual do governo brasileiro em tratamentos de problemas relacionados à gordura passaria de R$ 1 bilhão e até empresas, que investem em programas para melhorar a qualidade de vida dos funcionários e, por conseqüência, o desempenho profissional.
Esse desafio é enfrentado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília, onde cerca de 1,5 mil servidores estão acima do peso. São 44,5% das mulheres e 55% dos homens brigando contra a balança. Para solucionar o impasse e melhorar a saúde dos funcionários, o Tribunal vai pagar R$ 700 para quem emagrecer mais até o dia 15 de dezembro.
Assim como o STJ, há empresas que também incentivam seus empregados a perder peso. A Tortuga Câmaras de Ar, com sede em Curitiba, percebeu que seus funcionários mais antigos estavam começando a ficar com problemas de hipertensão e diabetes. Uma solução simples fez algumas pessoas perderem até 6 quilos. No início do ano, o setor de recursos humanos conversou com o fornecedor de refeições e pediu pratos mais saudáveis.
Os trabalhadores do grupo considerado de risco também foram chamados para consultas com uma nutricionista, que vai até a empresa uma vez por semana. Joel Santana e Ivair Neves foram os campeões da perda de peso. "Eles se sentem melhores, mais saudáveis e produtivos. A perda de peso é só uma conseqüência da reeducação alimentar", explica o gerente de Recursos Humanos, Sérgio Ricardo Silva. "E o custo foi zero."
Na Fonzagui, uma empresa de semijóias também com sede na capital paranaense, os funcionários se reuniram e fizeram um bolão para ver quem emagrecia mais em dois meses. Vinte pessoas se organizaram e, com a ajuda dos proprietários, compraram uma balança para se pesar. A corrida não foi fácil: quem desistia ou engordava pagava multa. O proprietário Mirko Fonzagui conta que somando todo mundo, foram perdidos 40 quilos. A vencedora foi Marilze de Lima. "Não gosto de perder e como todo mundo estava competindo, ficávamos nos policiando." Além de fechar a boca para guloseimas e gorduras, na receita para vencer estavam exercícios físicos e dois litros de água por dia.
A Viação Itapemirim também desenvolveu um programa para garantir aos funcionários uma vida mais saudável. "Até o número de acidentes diminui", conta a nutricionista Luciana Oliveira. Além de melhorar a alimentação, a empresa investiu no tratamento de quem tinha problemas mais graves. Também foram criadas 24 academias em todo o país, onde os motoristas praticam exercícios com a supervisão de profissionais. "Eles estão menos estressados. Isso melhora a vida familiar, a auto-estima e conseqüentemente o rendimento e a qualidade do trabalho", diz Luciana.



