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O presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), José Hiran Gallo, comentou os resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), divulgados nesta segunda-feira (19). Para ele, o dado da primeira edição "é assustador". Cerca de 14 mil médicos formados em 2025 atingiram notas 1 e 2 em uma escala que vai até 5.
O exame foi aplicado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), ligado ao Ministério da Educação (MEC). Para Hiran, "Quando mais de um terço dos egressos de Medicina obtêm desempenho considerado insuficiente pelo próprio MEC, estamos diante de um problema estrutural gravíssimo."
A avaliação atinge apenas as instituições de ensino. O CFM, no entanto, defende que haja aos médicos recém-formados uma prova nos moldes do exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), cuja aprovação seja obrigatória para o exercício da profissão. O Enamed é obrigatório, mas não impede o exercício da Medicina, embora abra portas para o programa de residência médica unificado do MEC.
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O senador Marcos Pontes (PL-SP) apresentou uma proposta nesse sentido. Atualmente, ela tramita na Comissão de Assuntos Sociais do Senado. Hoje, são 304 cursos de Medicina ativos no Brasil. Um terço deles não conseguiu desempenho satisfatório de pelo menos 60% dos concluintes.
Agora, o MEC irá conceder prazo de 30 dias para que as faculdades prestem esclarecimentos. Depois disso, entram em vigor sanções que vão desde a redução do número de vagas autorizadas até a suspensão de vagas do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). São 99 os cursos com risco de penalização.
Estão sujeitas às sanções apenas as universidades federais e instituições privadas. Instituições de ensino público estaduais ou municipais são supervisionadas pelas secretarias a que estão vinculadas.
Os piores resultados registrados foram de estudantes da rede municipal. Entre eles, a média ficou em 49,7% da pontuação máxima, resultado considerado insuficiente.




