
Rio, Recife e Fernando de Noronha - A Aeronáutica confirmou ontem o resgate de dois corpos de passageiros do Airbus da Air France que desapareceu no domingo quatro horas após decolar do Rio com destino a Paris, com 228 pessoas a bordo, entre elas 58 brasileiros. "Foram retirados dois corpos, ambos de sexo masculino, não identificados, disse o coronel Jorge Amaral, subchefe de comunicação da FAB (Força Aérea Brasileira).
Também foram recolhidas uma poltrona azul, uma valise de couro, com uma passagem da Air France, e uma mochila com um laptop. A mala e a mochila têm a identificação de seus donos, que não foi informada. Os nomes não correspondem, necessariamente, aos corpos encontrados. Em uma das bolsas havia ainda um cartão de vacinação. A Aeronáutica aguarda a confirmação se a poltrona azul, com número de série 237011038331-0, corresponde à aeronave.
Os corpos foram localizados a cerca de 900 quilômetros do arquipélago de Fernando de Noronha. Eles estão na corveta Cabloco, embarcação mais próxima do local onde foram localizados, a 70 quilômetros da última mensagem emitida pelo Airbus-A330, e devem ser levados para Fernando de Noronha em um helicóptero.
Entre 5 e 6 horas deste sábado, um avião com radar da FAB (R-99) detectou destroços na água. Às 8 horas, uma aeronave avistou os corpos pela janela. Às 8h14, o navio Corveta recolheu uma poltrona. Às 9h10, o primeiro corpo foi avistado pela tripulação do navio e foi recolhido às 9h30. Cerca de vinte minutos depois, as equipes conseguiram resgatar a mochila. Às 11h13, recolheram o outro corpo de homem.
"No início das operações, as buscas se concentraram em conseguir achar sobreviventes. Não foi possível. Encontramos, sim, alguns destroços, porém não eram prioridade. No terceiro e quarto dia procuramos sobreviventes e corpos. E, na terceira fase, no quinto dia, passamos a procurar destroços da aeronave. Hoje (ontem), então, tivemos resultados positivos, que trazem para nós a certeza que nosso trabalho foi bem conduzido, disse Amaral.
Neste sábado a Polícia Federal faz a coleta de saliva e fios de cabelo de parentes das vítimas do acidente, em uma sala especial montada do Hotel Windsor, no Rio. Somente parentes de primeiro grau (pais, filhos ou irmãos) estão sendo submetidos ao exame. Os parentes também estão respondendo perguntas para saber se as vítimas tinham tatuagens ou piercing. A PF enviou para Fernando de Noronha médicos legistas e papiloscopistas especialistas em identificação humana que vão ajudar na identificação dos corpos encontrados.
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Cronologia
As buscas pelos destroços do avião da Air France que caiu no Oceano Atlântico com 228 pessoas a bordo entraram no sexto dia neste sábado, sem nenhum sinal de corpos até agora. No total, 12 aeronaves estão mobilizadas na Base Aérea de Natal e em Fernando de Noronha para o trabalho de busca, além de três navios e um helicóptero da Marinha. Veja a cronologia da operação:
Segunda-feira O Sistema de Salvamento Aéreo de Recife aciona os meios de busca da Força Aérea Brasileira (FAB). A Aeronáutica confirma que um piloto de um vôo comercial reportou ter visto "pontos laranjas" no meio do Oceano Atlântico cerca de 30 minutos após o Airbus da Air France ter emitido um informe de pane elétrica, às 23h14 de domingo.
Terça-feira Três navios mercantes chegam ao local onde foram visualizados os objetos. Aviões detectam objetos metálicos e não metálicos no Oceano Atlântico. Teriam sido vistos uma poltrona, uma boia laranja, um tambor, objetos brancos, além de mancha de óleo e querosene.
Quarta-feira Uma aeronave francesa passa a integrar a equipe de buscas agora 12 aviões participam dos trabalhos. A Aeronáutica afirma que foram encontrados quatro novos pontos com destroços que podem ser o avião que fazia o voo AF 447. O ministro da Defesa diz que a presença de óleo exclui a possibilidade de explosão.
Quinta-feira A Força Aérea Brasileira afirma que o primeiro material recolhido do mar por um helicóptero não é do Airbus.
Sexta-feira A falta de visibilidade prejudica o quinto dia de buscas pelo Airbus da Air France. A Aeronáutica admite que não tem mais a localização dos destroços avistados no Oceano Atlântico ao longo da semana.




