A pequena Taís Freitas, 5 anos, teve de lidar com uma novidade em seu primeiro dia de aula. Ao invés de passar para a sala do Jardim III, ela encontrou uma turma com outro nome. Agora faz parte da Classe da Alfabetização. "Eu queria estar no Jardim III", desabafou a menina. O mesmo protesto foi feito pelo colega Miguel de Jesus, 5 anos, que estuda na mesma escola, em Curitiba.
O que está confundindo a cabeça dos pequenos e de muitos pais é a ampliação do ensino fundamental de 8 para 9 anos, que motivou a troca no nome da sala de Taís. A ampliação foi definida pelo governo federal. Estabelece que crianças devem ser matriculadas no ensino formal aos 6 anos (não mais aos 7). Na prática, incorpora o último ano da educação infantil (mais conhecido como pré-escola) ao ensino fundamental.
Já há casos em alguns estados de crianças que estão sendo matriculadas diretamente na segunda série. Mas não há perda de conteúdo ensinado, só muda a nomenclatura do ensalamento. As escolas têm prazo até 2010 para se adaptarem às novas regras.
O principal impacto será para o ensino público, já que muitos municípios antecipavam matrículas para aumentar repasses do Fundo de Desenvolvimento do Ensino Fundamental e do Magistério.
"Acho que as crianças vão se acostumar bem rápido. Até porque o início da alfabetização já acontecia nas escolas particulares", diz a mãe de Taís, a analista de sistemas Cláudia de Lima Freitas, 39 anos, mãe também do pequeno Mateus, de 9 anos. Já a professora Caroline Bandeira admite que ainda há muita confusão. "Não há uma definição de como vai ser. Para os pais está bem complicado."
As mudanças já ocorridas nas escolas do Paraná, por enquanto, não são oficiais. Ainda não se sabe como será a adaptação no estado, já que quase todas as cidades dependem de resolução do Conselho Estadual de Educação. Dos 399 municípios, somente Londrina, Ponta Grossa, Toledo e Chopinzinho têm autonomia para fazer a mudança. Essas cidades dispõem do sistema próprio de educação, que agrega todo o processo educacional, público e privado, em todas as suas fases. "Quem não tem [sistema] é obrigado a seguir a definição do conselho", diz a presidente da Câmara de Ensino Fundamental do Conselho Estadual de Educação do Paraná, Carmen Lúcia Gabardo. Ela diz que em maio as normas deverão estar definidas.
O objetivo da Escola Atuação (particular), onde estudam Mateus e Taís, foi se antecipar. As crianças que estão matriculadas em 2006 no último ano da educação infantil passaram a ter aulas no mesmo prédio dos maiores e a freqüentar a Classe de Alfabetização.
De acordo com a presidente do ensino fundamental do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Estado do Paraná (Sinepe-PR), Ester Cristina Pereira, uma das dúvidas relativas à nova lei diz respeito às transferências escolares. "Como vou receber um aluno de São Paulo [onde a legislação já foi implantada] que virá fazendo a 1.ª série? Se eu colocá-lo no último ano da nossa educação infantil será um retrocesso."
Segundo Ester, todas as questões estão sendo estudadas para que as normas e o modelo para a implantação do ensino fundamental ampliado sejam bem definidas. "Uma criança de seis anos, não importa se estudará no que chamaremos de pré, etapa inicial ou 1ª série, vai precisar de uma atendimento adequado."



