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Paraná

Entidades se posicionam contra ida do Depen para Sesp

Conselho Estadual Penitenciário e Associação Paranaense dos Advogados Criminalistas não apoiam a mudança da administração penitenciária

O Conselho Estadual Penitenciário (Copen), o Conselho Pleno da OAB-PR e a Associação Paranaense dos Advogados Criminalistas (Apacrim) se posicionaram contra o Projeto de Lei que transfere a responsabilidade sobre o Departamento de Execução Penal (Depen) da Secretaria de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (Seju) para a Secretaria Estadual da Segurança Pública (Sesp).

A Sesp é uma das principais pastas do governo estadual, com orçamento de R$ 2,6 bilhões. Se o projeto for aprovado, esses recursos devem receber um reforço de mais de R$ 400 milhões com a ida do Depen para lá, sem contar os cerca de R$ 5 milhões do Fundo Penitenciário Estadual.

Danilo Rodrigues Alves, presidente da Associação Paranaense dos Advogados Criminalistas, diz que existem dúvidas sobre como, de fato, vai funcionar a pasta. "A Sesp está deficitária, com corte de combustível. Há pouco tempo, nós enfrentamos a superlotação das delegacias. Não tem cabimento acabar com a designação de um policial para cuidar de uma pessoa que já está condenada", diz. Outra preocupação do advogado é o desvio de função que o projeto pode proporcionar. "Delegados assumindo cargo de diretor de penitenciária. Isso, ao que tudo indica, pode acontecer", afirma.

O dirigente da Apacrim também manifestou apreensão sobre o orçamento da nova pasta. "O Depen recebe o Fundo Penitenciário, destinado ao tratamento penal. Uma vez que o departamento vai passar para a Sesp, como vai ficar a situação? O dinheiro vai ser destinado exclusivamente ao tratamento penal? Por isso estamos preocupados", questiona.

O Conselho Estadual Penitenciário (Copen), formado por oito entidades ligadas ao assunto, não foi consultado sobre o Projeto de Lei, apesar de ter como prerrogativa o papel de "órgão consultivo e fiscalizador da execução penal."

O presidente da instituição, Joe Tennyson Velo, diz que a função da Sesp é muito diferente do sistema penitenciário. "A função da Sesp é, fundamentalmente, investigação e segurança ostensiva. Enquanto que a função de execução penal é a ressocialização de pessoas condenadas. A política de execução penal exige conhecimento específico de execução penal".

Os presidentes da Apacrim e do Copen defendem a criação de uma secretaria específica para cuidar do sistema penitenciário. Segundo eles, a nova pasta daria mais autonomia às decisões e um orçamento próprio, que aumentaria a eficácia do sistema penal do Paraná. "É uma situação que tem se alarmado e precisa de mais atenção", diz Danilo Rodrigues Alves. "Estar atrelado à Seju já não é conveniente", complementa Joe Tennyson Velo.

o Conselho Pleno da OAB-PR classificou a mudança do Depen para a Seps como ‘grave retrocesso’ no cumprimento das atribuições constitucionais das instituições e dos agentes que compõem as forças de segurança; nas atribuições da execução penal derivadas da Lei de Execução Penal; no comprometimento das finalidades da pena; e no desvirtuamento dos lugares de custódia e tratamento de pessoas privadas de liberdade, provisória ou definitivamente.

A Seju informou que se posicionará sobre o assunto apenas na segunda-feira. Já a Sesp disse que não se manifestará enquanto o Projeto de Lei estiver tramitando na Assembleia Legislativa.

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