Cerca de mil estudantes dos ensinos fundamental, médio e superior do Colégio Expert e da Faculdade de Tecnologia Expert (Fatex) enfrentam dias difíceis. Em 15 de agosto, a instituição foi despejada de uma de suas sedes (na Rua Pedro Ivo, 506) e tem dificuldades para renovar a autorização dos ensinos fundamental e médio na Secretaria de Estado de Educação (Seed). "Como vou tirar meus filhos da escola, sendo que cada instituição tem o seu método? É muito difícil de acompanhar o ensino, ainda mais quase no fim do ano", reclama Mara Abelane Rosa de Quadros, mãe de dois alunos.
A Resolução 675/02, da Seed, autorizou o funcionamento do ensino médio por um ano. E a Resolução 0892/04 regularizou a atuação da instituição por cinco anos a partir de 2003. Ou seja, em 2007 a documentação venceu e não houve novo cadastro, conforme a Seed. "Nenhuma proposta chegou até nós. Ela sai da escola, vai para o Núcleo Regional de Educação, até que ele entenda que está em ordem. Se estiver em trâmite, nós não temos acesso", explica Ana Lúcia Albuquerque, diretora de Administração Escolar da Seed. A situação é semelhante no ensino fundamental e no ensino de jovens e adultos (EJA). De acordo com Ana Lúcia, os estudantes não teriam o estudo validado caso o concluam em instituição com falhas na documentação. Na prática, para alívio de estudantes, não é isso que acontece. "Se entendermos que o prejuízo é muito grande ao aluno, temos de intervir na escola. O aluno efetivamente não será prejudicado", afirma.
Desde que o oficial de Justiça da 9.ª Vara Cível de Curitiba foi obrigado a arrombar o endereço da Pedro Ivo para cumprir a ordem da ação 425/2009, os alunos e professores se dividem por várias sedes: Barão do Rio Branco, Doutor Muricy e Mateus Leme. E aí está outro dos equívocos cometidos pelo Expert: não informar à Seed a troca de sedes. A autorização para o ensino médio foi validada para a Rua Barão do Rio Branco, 402. No entanto, a atual sede da escola está no número 412 da mesma rua o prédio ao lado. "Mesmo sendo no edifício ao lado, é um novo endereço. E um novo prédio sugere novas instalações que precisam ser avaliadas", explica Ana Lúcia.
Os professores da instituição reclamam da falta de estrutura para ministrar aulas. "A Barão do Rio Branco foi apelidada de Batcaverna pelos alunos. Dá uma sensação claustrofóbica", afirma um docente. "A coordenadora pedagógica fica no corredor, junto com as inspetoras, porque não há sala específica", diz.
Outro lado
Giancarlo de Cristo Leite, responsável pela instituição, argumenta que todos os documentos para fazer a renovação estão em mãos e serão encaminhados sem qualquer prejuízo aos estudantes. "Ainda não venceu o nosso prazo, por isso não estamos irregulares", diz. Segundo Leite, não houve reclamação, desistência ou cancelamento de estudantes desde o incidente na antiga sede. "Não houve prejuízo nenhum a ninguém", afirma. O responsável nega, inclusive, que tenha havido despejo da sede da Pedro Ivo. "Houve desocupação voluntária, porque não houve acordo no valor da locação", diz.



