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Juventude

Escolas impõem limites ao namoro

Alunos não veem nada de mais em dar beijinhos durante o intervalo, mas a maioria dos colégios tolera no máximo que os jovens casais fiquem de mãos dadas

Rafaelli e Vinícios apoiam limites, mas ele defende regras menos rígidas | Marcelo Elias / Gazeta do Povo
Rafaelli e Vinícios apoiam limites, mas ele defende regras menos rígidas (Foto: Marcelo Elias / Gazeta do Povo)

Romeu e Julieta – os jovens personagens criados pelo dramaturgo britânico William Shakespeare que tiveram fim trágico – já nos ensinaram que proibir um namoro é impossível. Mas, para pais e professores de adolescentes, é preciso haver limites.

Permitir ou não o namoro na escola é um assunto polêmico. Enquanto os alunos pensam que dar uns beijinhos durante o recreio não tem nada demais, a maioria dos colégios, tanto públicos quanto particulares, permite no máximo que os casais fiquem de mãos dadas.

Rafaelli Fernandes Pereira e Vinícios Müller do Valle, ambos de 16 anos, são alunos do Colégio Novo Ateneu em Curitiba, e estão namorando há dois meses. De acordo com a orientadora educacional Margarete Cunicos, o regimento do colégio não permite o namoro, mas para ela é impossível proibi-lo. "Acaba acontecendo, principalmente nessa idade, então é preciso ser ponderado. Se formos radicais, vão namorar escondido, mas, se formos muito liberais, ocorrerão os excessos", explica.

Para Rafaelli e Vinícios, as regras fazem sentido. "Se esses limites não existissem, seria uma bagunça", acredita Rafaelli. "Além disso, precisamos pensar nos alunos mais novos e dar o exemplo." Vinícios concorda. "Um certo controle é importante, afinal, a nossa prioridade são os estudos, mas às vezes penso que poderiam ser mais flexíveis, pelo menos durante o intervalo", pondera.

Quando ocorre algum excesso, Margarete costuma chamar os casais para uma conversa. Somente se o problema persistir é que os pais são avisados. Dentro da sala de aula, os alunos são separados para garantir que eles prestem atenção no conteúdo. "Por mais que eles sejam dedicados, se distrair um com o outro é inevitável", explica.

No Colégio Dom Bosco, as relações de amizade e admiração são incentivadas, mas nada de beijos e abraços. "Durante a semana, por exemplo, os alunos promoveram um correio elegante", conta a professora Alcy Pacheco Alberge, orientadora educacional da instituição. "Mais de 300 alunos da 8ª série e do ensino médio participaram e foi muito divertido. Apoiamos essas manifestações, mas nada além disso."

Para o diretor do Colégio Estadual La Salle, José Antônio Buher Machado, a justificativa para proibir as demonstrações físicas de afeto é muito clara. "As regras de conduta estão aí para ensinar como devemos nos comportar em sociedade", lembra. "Proibir o namoro na escola não é moralismo. Existem coisas que podemos fazer em público e coisas que não podemos fazer."

Para o professor, é comum os adolescentes começaram um namoro pelos motivos errados. "Muitas vezes, é uma questão de autoestima", avalia. "Ser visto beijando alguém é mais importante do que o próprio beijo. É uma fase muito difícil, por isso, eles precisam ser bem orientados, não só sobre como devem agir dentro do colégio, mas sobre como devem agir durante toda a vida."

Conversa franca

Para a pedagoga Elisa Dalla Bona, professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR), os excessos entre casais de namorados na sala de aula têm o poder de constranger o professor, os colegas e tirar a concentração de todos. "Existe hora e lugar para tudo", ressalta. "Os professores têm o direito de chamar a atenção dos alunos sobre este fato, mas, mais importante do que dar um puxão de orelha, é orientá-los sobre o assunto. Pais e professores não podem ter medo de falar de sexo, porque somente a proibição não será suficiente para protegê-los das doenças sexualmente transmissíveis ou da gravidez precoce."

A especialista lembra do tempo em que meninos e meninas estudavam não só em salas, mas em escolas diferentes. "É muito bom termos evoluído neste sentido", afirma. "Antigamente, havia grande rivalidade entre gêneros até os 13 anos de idade. O que percebo hoje é que embora o interesse pelo sexo oposto aconteça cada vez mais cedo, a diferença entre gêneros é muito melhor elaborada pelas novas gerações. Mais um motivo para que não existam mais tabus sobre o assunto."

* * * * * *Interatividade

O namoro deve ser proibido, liberado ou tolerado com restrições nas escolas?

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