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Uma estudante de Curitiba que iria fazer intercâmbio na Itália foi barrada e deportada para o Brasil, na sexta-feira, ao passar pelo serviço de imigração do aeroporto de Madri-Barajas, na Espanha. A universitária C.B.K, de 23 anos, viajou na quinta-feira à Europa e foi obrigada a voltar a Curitiba no sábado.
Ela conta que deveria viajar na ponte aérea Madri - Milão e depois embarcar para Florença. Ao passar pelo serviço de imigração, explicou que ficaria por três meses em Florença como turista, embora fosse estudar. "Logo após, fui levada a uma sala e um policial me entrevistou", conta. "Espalharam todos meus documentos em cima de uma mesa e pediam para que eu esperasse."
A estudante ficou em uma sala com outras 15 pessoas, entre elas mais três brasileiras. "Ali tinha de tudo: pessoas que foram trabalhar no país ilegalmente, outras que não tinham a documentação exigida", conta. "Ninguém me ouvia, fui tratada como lixo."
Como os outros, ela foi obrigada a assinar um documento declarando que teria uma entrevista com direito a advogado e intérprete. "O policial foi extremamente grosso", relata a estudante. "Tudo o que eu falava ele dizia ser mentira e começou a me pedir uma documentação que não estava prevista: o extrato do cartão de crédito, um documento que comprovasse que estudo no Brasil e um comprovante de pagamento do curso de italiano que eu faria - além de perguntar quanto meu pai ganhava, já que declarei que dependia financeiramente dele."
A família da estudante chegou a entrar em contato com a Embaixada Brasileira em Madri, na Espanha, e enviou todos os documentos exigidos. O serviço de imigração indeferiu o pedido para a brasileira entrar no país e informou que ainda faltavam mais dados.
Ela diz não ter recebido explicação sobre o que aconteceu. "Não sei se foi preconceito, não entendi mesmo", reclama.
A universitária estuda no sexto período do curso de Letras/Italiano na Universidade Federal do Paraná. "Tive até que trancar a matrícula por causa da viagem", conta. "Depois de tudo que aconteceu, não penso mais em viajar à Itália no momento." A estudante conta que já fez outras viagens internacionais e nunca teve problemas.
No Brasil, ela contratou uma empresa especializada em intercâmbios. Segundo ela, os documentos exigidos para entrar na Itália estavam em dia. A empresa B to W, de Curitiba, informou que este foi o primeiro caso de deportação de um cliente da agência e prometeu reembolsar C.B.K. de todas as despesas, exceto as passagens aéreas.
A reportagem procurou a Embaixada da Espanha em Brasília e a Embaixada do Brasil em Madri, mas ninguém quis falar sobre o caso. O Consulado da Itália em Curitiba alegou que ainda não foi informado do caso.



