O 2º Tribunal do Júri de Curitiba absolveu, no último dia 3, o espanhol Fernando Agustín García Rodrigues. Ele era suspeito de ter assassinado, em abril de 2011, a namorada, no bairro Batel. Carolina Paschoal, de 31 anos, havia sido encontrada morta dentro do apartamento em que morava com Rodrigues.
Embora houvesse suspeita de que ele teria esganado a companheira, a Justiça concordou com a tese da defesa do suspeito, de que Carolina morreu asfixiada devido a um problema no equipamento de gás do imóvel. O Ministério Público do Paraná (MP-PR) já recorreu da sentença.
Imbróglio
De acordo com um dos advogados de defesa do suspeito, Gustavo Hassumi, o exame toxicológico na vítima foi decisivo para o entendimento de que Rodrigues é inocente. A perícia preliminar indicava que a mulher havia sofrido asfixia mecânica (esganadura), mas a análise biológica mostraria que havia 62,5% de monóxido de carbono no sangue de Carolina taxa superior a 50%, a partir da qual é possível morrer, segundo os legistas que trabalharam no caso.
O laudo definitivo do Instituto Médico Legal (IML) ficou pronto no dia 1º de agosto daquele ano, mais de três meses após a morte de Carolina. A conclusão da Criminalística apontou ambas as causas (asfixia mecânica e inalação de monóxido de carbono), o que manteve a dúvida sobre o caso.
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (Sesp), existe também um parecer médico-legal indireto complementar, realizado pela própria instituição, a pedido do Poder Judiciário.
Este parecer foi feito a pedido da defesa de Rodrigues, que informou ter contratado um legista particular, de São Paulo, para acompanhar a perícia. De acordo com exames em fotos do cadáver, segundo Hassumi, o perito alegou que as marcas de dedos no pescoço de Carolina teriam sido feitas durante a própria perícia.
Relembre o caso
Carolina Paschoal foi encontrada morta em um apartamento localizado no bairro Batel, em Curitiba, na manhã do dia 10 de abril de 2011, um domingo. A morte da mulher foi constatada pela mãe dela, que entrou no quarto onde a vítima estava e a viu deitada de bruços sobre a cama.
À polícia, a mãe havia contado que, na noite de sábado (9), recebeu um telefonema do namorado da filha, informando que ela estaria "passando mal". Quando chegou ao apartamento, no dia seguinte, o homem dormia na sala do apartamento. À época, a suspeita da Delegacia de Homicídios (DH) é que o telefonema na noite de sábado poderia ter sido uma tentativa de dissimulação. Quando o óbito da mulher foi constatado, policiais militares encontraram garrafas vazias de bebidas alcoólicas e uma pequena quantidade de maconha no apartamento.
À época do falecimento de Carolina, o casal mantinha um relacionamento há cerca de seis meses. O suspeito teria passado um curto período na França e, ao retornar, teria manifestado interesse em se casar com a vítima. Rodrigues trabalhava como auditor de uma empresa de telefonia em Curitiba.
Rodrigues chegou a ficar preso temporariamente por cinco dias, pouco mais de uma semana após a morte, mas a Justiça relaxou a prisão concedendo habeas corpus. O espanhol, no entanto, teve o passaporte cassado e ficou impedido de sair do país. Com a absolvição obtida no último dia 3, o documento deve ser restituído, segundo a defesa.



