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Histórias para não esquecer

População ficou boquiaberta ao ver o 1.º balão

Curitiba parou para assistir, no final do século 19, como funcionava um balão. Um século antes, nos anos de 1700, criava a sua primeira cavalaria

 | Ilustração: Felipe Lima
(Foto: Ilustração: Felipe Lima)
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Não é de se estranhar que um viajante inglês, do início do século 19, ao avistar Curitiba, tenha dito que ela se parecia a um acampamento prestes a levantar. Era tão provinciana e sem infraestrutura que as casas, todas brancas pintadas com cal, se assemelhavam ao longe a barracas. Da vila empobrecida à cidade que ganhou o título de modelo, há histórias que não devem ser esquecidas.

Dessa Curitiba colonial, é de se imaginar o que aconteceu quando apareceu no céu o primeiro objeto mais leve que o ar, chamado de dirigível ou balão. "O discurso era, na época, de que se tratava de um ato de coragem inconcebível, até porque, o mais alto que as pessoas iam era ao topo de uma montanha. Foi revolucionário para o modo de pensar da população provinciana", afirma o historiador Vidal Antonio de Azevedo Costa. Pelas habilidades do aeronauta mexicano Theodulo Ceballos, um saltimbanco que percorria a América Latina, a população viu o primeiro balão subindo, em 1876, com direito a acrobacias de Ceballos no ar. "Os textos de jornais da época são verdadeiros hinos de louvor a essa coragem inaudita. É um encantamento com a capacidade do homem de alcançar o infinito", explica Vidal.

O segundo que apareceu, já no início do século 20, ganhou fama e ao mesmo tempo repúdio. Primeiro porque ficou enroscado no lanternim da catedral, uma verdadeira vergonha para a população que não acreditava no que via; segundo porque o que a acrobata Maria Aida fazia não era mais novidade e os curitibanos, que não se sentiam tão provincianos assim, passaram a ser exigentes com esses tipos de espetáculo. "O discurso muda. Os jornais falam ironicamente que uma boa aeronauta não poderia colocar a culpa no tempo ruim. A população se considera digna de algo melhor", conta Vidal. O reencantamento aos dirigíveis foi inevitável, porém, no dia em que o Zeppelin Hinderburg passou rapidamente pelo céu de Curitiba. Com 245 metros de comprimento (apenas 24 metros menor que o navio Titanic), ele conseguiu seduzir a população outra vez, que ficou paralisada diante do que via. "O dirigível passou rapidamente por Curitiba, em 30 minutos, até porque, deste tamanho, não tinha onde pousar. Mas a admiração foi extrema, o que não tardou para que notícias falsas fossem criadas a respeito", diz Vidal. Um senhor teria dado um depoimento de como o Zeppelin teria pousado no aeroporto do Bacacheri (o que seria impossível), assim como muitas fotos foram montadas com o Zeppelin no céu, em lugares por onde ele não passou. Uma das mais famosas é do Hinderburg sobrevoando o prédio Garcez.

Cavalaria

Voltando um século, ainda no período imperial, entre os anos de 1765 e 1777, Curitiba registra outro dado histórico curioso: cria sua primeira companhia de cavalaria, já que o rei de Portugal, D. Afonso VI, não dispunha – e não tinha interesse – em gastar dinheiro com isso no Brasil. "É a origem do que hoje chamamos de milícia armada. Para defender o território português dos ataques de ingleses e holandeses, o rei de Portugal convoca moradores a cuidar da segurança", afirma o pesquisador Edson Moisés Pagani. Esses homens – verdadeiros súditos fiéis ao rei – se armaram e compraram cavalos por conta própria, por isso tinham de ter cacife financeiro. "Nem todo mundo, neste período, poderia ter cavalo e espada e aqueles que tinham eram considerados nobres. Então, além de serem bem vistos pelo rei, eram prestigiados pela sociedade", diz Pagani. A companhia de cavalaria criada em Curitiba nunca participou de um combate, por isso teve outro papel: ajudou a expandir as delimitações geográficas da cidade, porque esses cavaleiros viraram verdadeiros exploradores dos "sertões", nesse caso, dos Campos Gerais.

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