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Infraestrutura

Esperada, duplicação da BR-116 não fica pronta antes de 2015

Única ligação terrestre entre Curitiba e São Paulo, rodovia afunila em 19 quilômetros de pista simples no trecho da Serra do Cafezal

Obras de duplicação da BR-116: falta de licença ambiental emperra continuidade do trabalho | Divulgação/Concessionária Autopista
Obras de duplicação da BR-116: falta de licença ambiental emperra continuidade do trabalho (Foto: Divulgação/Concessionária Autopista)

O principal entrave logístico entre o Sudeste e o Sul do Brasil está menor, mas ainda muito longe de ser resolvido. Dos 30 quilômetros em pista simples da BR-116 na região da Serra do Cafezal, onze acabam de ser duplicados. Contudo, a obra nos 19 quilômetros restantes ainda depende de uma complexa licença ambiental, num processo que se arrasta há mais de uma década. O trecho é perigoso, concentrando acidentes, e de tráfego lento. Em vários pontos, especialmente à beira de abismos, não há como ampliar a pista pavimentando a faixa imediatamente ao lado: é preciso derrubar a mata e abrir uma nova rodovia.

A documentação necessária para a licença ambiental foi entregue em maio ao Ibama. Duas audiências públicas foram realizadas em outubro, mas ainda não há previsão de uma resposta ao pedido. Depois de conseguir a licença, a obra ainda levará três anos e deve consumir R$ 700 milhões. As intervenções devem ser significativas: estão previstos quatro túneis, além de pontes e viadutos. A responsabilidade pela rodovia é da concessionária Autopista Régis Bittencourt, do grupo OHL.

Localizada entre as cidades paulistas de Miracatu e Juquitiba, a 300 quilômetros de Curitiba, a Serra do Cafezal representa um afunilamento na ligação Sudeste-Sul. A BR-116, também conhecida como Régis Bitterncourt, é praticamente a única ligação entre São Paulo e Curitiba – o desvio alternativo aumenta a viagem em 300 quilômetros. Também não há outras opções, como o modal ferroviário ou uma rodovia litorânea, como a BR-101.

Tráfego pesado

A maior parte do fluxo na Régis Bittencourt é composta por veículos pesados: a proporção é de seis para cada quatro veículos leves. Além da Serra do Cafezal, há outros três trechos de montanha somando 80 quilômetros no trajeto de 400 quilômetros entre São Paulo e Curitiba. Apesar de representar 20% do percurso, os trechos de serra concentraram 40% dos acidentes em 2012. A boa notícia é que a quantidade de colisões na serra vem caindo. A redução chegou a 30% em comparação com 2009. Apesar das condições de tráfego, a BR-116 é cada vez mais utilizada. Em 2009 eram menos de 20 mil veículos por dia, em média. No ano passado, saltou para quase 23 mil.

Demora na obra beira o irracional, diz especialista

O professor Djalma Perei­­ra, das disciplinas de Infra­­es­­trutura e Pavimentação da Universidade Federal do Pa­­raná e mestre em Enge­­­nha­­ria de Transportes pela Universidade de São Paulo, acredita que a duplicação dos 11 quilômetros recém-concluídos atenua, mas não reduz o problema. Para ele, a demora para a realização da obra "é algo que beira o irracional e o incompreensível". "O fato se agrava pela forte concentração no modal rodoviário no Brasil. Sabemos que a Mata Atlântica é um ambiente frágil e precisa de cuidados, mas estamos estrangulando uma das principais artérias de cargas e passageiros no país", diz.

Pereira destaca ainda que o traçado da BR-116 é antigo. "Hoje há mais caminhões e eles são muito maiores. A rodovia não está apta para isso", pondera. O professor avalia que a Régis Bittencourt deveria estar toda duplicada há 20 anos. Apesar de ser o caminho "natural" entre Curitiba e São Paulo, por ser o mais curto e com mais infraestrutura, Pereira considera um risco impensável percorrer a BR-116. "Não cometo essa temeridade há muitos anos. Quase me recuso a ir de carro para São Paulo", conta. "É uma rodovia muito carregada, com traçado antigo, de tráfego pesado, perigosa", explica.

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