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São Paulo

"Está tudo destruído", diz irmã de jovem morto dentro de loja

Jovem de 23 anos foi morto com tiro na cabeça em loja na Zona Sul. Segundo Casas Bahia, fato está sendo apurado

Com sinais de cansaço e tristeza visíveis, a advogada Tatiane Silva Milfonti, de 31 anos, foi ao Instituto Médico-Legal (IML), na Zona Sul de São Paulo, na manhã desta terça-feira (11), liberar o corpo do irmão caçula. O jovem Alberto Milfonti Júnior, de 23 anos, foi morto no início da noite desta segunda-feira (10) com um tiro na cabeça dentro de uma loja das Casas Bahia, na Estrada de Itapecerica, Campo Limpo, também na Zona Sul. A empresa diz que está apurando o fato.

"Está tudo destruído, né? Agora a gente quer justiça. Uma loja desse porte coloca uma pessoa tão despreparada", disse, em referência ao segurança que foi preso em flagrante por ter efetuado o disparo no rosto de Alberto. Segundo ela, o irmão havia ido à loja com a namorada, de 22 anos, e um amigo de 17 anos para comprar um colchão. O casal, que morava com a mãe de Milfonti, planejava se mudar para uma casa só deles para criar o filho Gustavo, nascido há cinco meses.

"Ela estava na fila e meu irmão estava sentado em um sofá, olhando os outros eletrodomésticos. Aí o segurança perguntou para ele se ele tinha algum parente parecido. Ele perguntou por que e o segurança disse que ele não parava de olhar. Meu irmão disse que era o segurança que estava o seguindo a loja toda. "Meu irmão disse: ‘Eu sou cliente, eu estou comprando’ e foi até a esposa dele, pegou a nota fiscal e foi mostrar para o segurança."

Segundo a advogada, quando o irmão voltou com o papel, o segurança já havia sacado a arma e perguntado: "Você quer que eu atire em você?". "Meu irmão disse: ‘Se você quiser atirar..." Aí ele perguntou: ‘Você duvida?’ e meu irmão falou: ‘Duvido’. Aí ele pegou e atirou", conta. Ainda de acordo com ela, tudo teria se passado dentro da loja e o segurança também teria ameaçado a mulher do irmão e o amigo. O jovem ferido chegou a ser encaminhado para o Hospital de Campo Limpo, mas não resistiu e morreu.

Bermuda e chinelo

Tatiane acredita que tudo tenha sido causado porque o segurança não gostou da forma como o jovem estava vestido. "Ele estava de bermuda e chinelo. Estava mal vestido. Aí ele achou que ele fosse um ladrão. Estão falando que ele estava tentando assaltar a loja, mas é tudo mentira. A gente tem testemunha do que aconteceu. Todo mundo ficou horrorizado na loja."

Tatiane conta que a namorada e a mãe de Alberto estão em estado de choque e que o advogado da família está estudando o caso para entrar na Justiça. "Meu irmão era tranqüilo. Uma pessoa bem serena. Não arrumava confusão. Era trabalhador."

Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), o segurança está preso no 37º Distrito Policial, no Campo Limpo, onde o caso foi registrado, mas deve ser encaminhado, de acordo com o SPTV, para o 8º DP no Brás, já que a sua profissão é de risco. Foi informado também que o segurança não tinha antecedentes criminais, mas que o jovem de 23 anos tinha. Porém, a secretaria não soube informar detalhes. A irmã de Alberto negou que ele tivesse passagem pela polícia.

Por volta das 12h40, o SPTV informou que dez pessoas já haviam sido ouvidas sobre o caso.

Em nota, a assessoria das Casas Bahia informou que os fatos ainda estão sendo apurados e que "a rede está à disposição para cooperar no que for necessário com a investigação policial". A empresa informou ainda que "a segurança de suas filiais é terceirizada e que exigirá dos responsáveis os devidos esclarecimentos".

Também em nota, a empresa Gocil, responsável pela segurança na loja das Casas Bahia, disse que lamenta o ocorrido e que "todos os esforços estão sendo realizados no sentido de apurar os fatos, bem como colaborar com as autoridades constituídas".

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