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Segurança

Estelionatários aplicam golpe em parentes de militares e PMs

Ao receber a ligação de um homem que se identificava como coronel da Polícia Militar e dizia estar à procura de seu pai há muitos anos, a servidora pública C.M.B., 55 anos, nem imaginava estar caindo num golpe cujo prejuízo seria de R$ 1,6 mil. Segurados da empresa Montepio, os pais da servidora pública contribuíram muito tempo com a empresa. Mas quando morreram, a filha não recebeu a restituição do seguro.

Na ligação, os bandidos disseram que C.M.B havia ganho uma ação contra a seguradora, mas que aquele seria o dia do prazo final para receber o montante. Para receber o valor do seguro, seria necessário um depósito na conta dos estelionatários. "Eles diziam que o valor seria para pagar as custas do processo", explica C.M.B.

Naquele momento, C.M.B era vítima de uma quadrilha que atuava desde os anos 90 em quatro estados – além do Paraná, o golpe também era aplicado em Santa Catarina, São Paulo e Rio de Janeiro. Somente em Curitiba, o bando extorquiu R$ 1 milhão nos últimos dois anos. Perto de 100 pessoas foram vítimas na cidade. Como alvo, a quadrilha visava segurados das empresas GBOEX, Montepio e Mongeral ligados ou ao Exércio ou a Polícia Militar.

O flagrante foi feito no último dia 5, numa pousada em Morretes, no litoral. Entretanto, a polícia divulgou apenas ontem a prisão para não atrapalhar as investigações. Na operação, foram presos Carlos Roberto da Silva, 42 anos, Nelson James Martins, 51 anos, Diomar Domingos Santos de Araújo, 45 anos, e Marcos Barbosa Cyganczuk, 40 anos.

Segundo a delegada-adjunta da Delegacia de Estelionato e Desvio de Carga, Vanessa Alice, todos possuem antecedentes criminais por estelionato. Para facilitar o trabalho de convencimento das vítimas, dois integrantes do grupo trabalhavam como corretores – Araújo como funcionário de uma seguradora e Martins como autonômo. Ambos eram responsáveis por obter informações sobre os segurados. Além disso, Silva cumpria prisão condicional desde março.

Tal convicção foi o que levou C.M.B. a acreditar na restituição do seguro. Além do nome completo dos pais da servidora, os criminosos também tinham os números do R.G. e C.P.F. "Só fui perceber que era golpe quando me pediram para fazer outro depósito", salienta servidora.

Protestos

Em outro golpe aplicado pela quadrilha, dados de pessoas e empresas que iriam para protesto de divídas eram pesquisados em jornais. Na seqüência, as vítimas eram contactadas, com os criminosos se passando por cartorários. Nas ligações, os bandidos cobravam uma taxa para impedir que o título fosse protestado. Logo após o depósito na conta dos estelionatários, os golpistas desapareciam.

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