
Mais de 20 estudantes estão acampados no terreno onde ficava a sede da União Paranaense dos Estudantes Secundaristas (Upes) para manter a posse da área. O prédio estava situado na esquina das ruas Marechal Mallet e Manoel Eufrásio, no bairro Juvevê, e foi demolido na sexta-feira passada, quando três estudantes dois homens e uma mulher foram feridos em um conflito com um grupo de funcionários da Incorporadora Menezes. Ontem, um ato comemorativo ao dia do estudante também seria usado para pedir agilidade à Justiça.
Os estudantes entraram com uma ação judicial por agressão e furto contra a empresa, e uma audiência já foi marcada para 25 de setembro. Antes da demolição do prédio, na semana passada, foram levados vários bens da Upes, como computadores, sofás e armários, além de documentos que faziam parte de um projeto para a recuperação da história da entidade, fundada em 17 de junho de 1945. A mobília teria sido colocada em um depósito no bairro Hauer.
No acampamento, os estudantes recebem apoio da comunidade da região e se revezam, à noite, para permanecer no local, que não tem água e luz. Lideranças estudantis vindas de Curitiba, da região metropolitana e do interior do estado estão fazendo um abaixo-assinado e construindo uma cerca no local para fortalecer o movimento. A Justiça ainda não julgou o mérito de uma ação que decidirá o verdadeiro proprietário da área. "Queremos que eles façam logo o julgamento do mérito", afirmou o presidente da Upes, Rafael Clabonde.
De acordo com Clabonde, uma manobra irregular feita em 1995 pela antiga administração da Upes teria vendido o terreno à empreiteira por R$ 7 mil, e o estatuto da entidade teria sido alterado em um "congresso fantasma" para permitir a transação. Em junho de 2008, os móveis da Upes chegaram a ser retirados e colocados em um caminhão de mudanças da empresa, que havia conseguido um mandado de reintegração de posse. Após uma negociação com o proprietário, os objetos voltaram para a sede.



