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Comportamento de risco

Estudo: 90% das estudantes britânicas já receberam conteúdo sexual indesejado

(Foto: Pexels)

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As alarmantes descobertas de um novo estudo feito com estudantes britânicos chamam atenção para uma cultura de intimidação e exposição a conteúdo sexual no ambiente escolar. Embora os problemas já fossem conhecidos, a conclusão foi de que a situação é muito pior do que a esperada. Uma das descobertas é a de que quase 90% das garotas, e praticamente metade dos garotos, disseram ter recebido fotos ou vídeos explícitos sem consentimento.

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O estudo também concluiu que a maior parte das meninas recebeu apelidos ou ofensas sexistas (92%), ouviu rumores sobre sua atividade sexual (81%), e foi alvo de comentários inapropriados de natureza sexual (80%). Além disso, 88% delas receberam fotos ou vídeos explícitos sem consentimento, e 80% foram pressionadas a enviar fotos de si próprias com conteúdo sexual. Mais de metade (51%) soube que fotos ou vídeos delas feitos sem o conhecimento delas estavam circulando.

A agressividade contra as garotas no ambiente escolar ultrapassou os meios virtuais. Das entrevistadas, 79% relataram terem sido vítimas de algum tipo de ataque sexual. Do total, 64% afirmaram terem sido tocadas sem consentimento.

No geral, os números entre os meninos foi significativamente menor, embora também ofereçam motivos para preocupação.

A pesquisa, divulgada na última semana, foi realizada pelo Escritório de Padrões em Educação (Ofsted), um órgão do governo britânico. O estudo ouviu 900 alunos, de 30 escolas e duas faculdades diferentes. “É preocupante que, para algumas crianças, os incidentes são tão comuns que elas não veem motivo para denunciá-los”, diz o texto.

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Efeito da pornografia

Além do despreparo de professores e diretores, e da falta de medidas concretas que coíbam o comportamento abusivo nas escolas britânicas, o estudo identificou outro fator como um agravante: o acesso cada vez mais fácil à pornografia. “Autoridades com as quais nós conversamos também enfatizaram os problemas que o acesso fácil à pornografia criou, e como a pornografia gerou expectativas não-saudáveis sobre as relações sexuais e deu forma à percepção que crianças e jovens têm de mulheres e garotas”, afirma o estudo, que, além de estudantes, ouviu diretores e outras lideranças escolares.

De acordo com os responsáveis pelo relatório, o consumo de pornografia tende a tornar mais aceitáveis atitudes agressivas contra as garotas. “Apesar de haver evidências insuficientes para comprovar que assistir a pornografia causa diretamente comportamentos sexuais nocivos, existem evidências sugerindo que pessoas jovens parecem se tornar mais dessensibilizadas ao seu conteúdo com o tempo, e que isso pode formar atitudes não-saudáveis, como a aceitação de agressões sexuais contra as mulheres”, afirma o estudo.

A principal recomendação do relatório é que o governo incorpore as conclusões do estudo em sua Online Safety Bill (Projeto de Lei de Segurança Virtual). A proposta, elaborada pelo governo britânico, propõe que os provedores de internet se responsabilizem por moderar o conteúdo inadequado - tomando medidas mais enérgicas para impedir, por exemplo, que crianças tenham acesso a conteúdo de natureza sexual.

O estudo também pede que professores e funcionários das escolas recebam um treinamento mais apropriado para lidar com esse tipo de situação no ambiente escolar.

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