Corre por aí a conversa de que há dois meses, ao ser colocado a par dos preparativos para a COP 8 e MOP 3, em Curitiba, Ahmed Djoghlaf teria se tranqüilizado, do alto da experiência de quem participou de mais de 20 conferências do gênero. Para quem nunca viu um evento parecido tão de perto, contudo, não há tranqüilidade possível.
Ainda não se sabe, por exemplo, que empresa ganhou a licitação para gerir os eventos isso, a menos de dois meses de seu início. O processo, lançado tardiamente, em dezembro, foi gerenciado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNDU) e teria sido disputado por três empresas. O pacote total, não confirmado, supostamente na casa dos R$ 11 milhões, tem recursos do governo federal e inclui, literalmente, tudo do tradutor de chinês, uma das línguas da ONU, àquela faxina caprichada no pavilhão.
Como a vinda de aproximados 3 mil convidados internacionais e mais ecologistas de quatro costados podendo aumentar a população de Curitiba em 8 mil pessoas, a maioria pedindo, em línguas diferentes, hotel, táxi e onde fica o WC a expectativa é saber o impacto positivo que as convenções podem ter sobre a cidade. Seria o caso da contratação de tradutores. Ou eles virão de outras cidades? A depender de quem vencer a licitação, a resposta pode ser sim.
Hélio Amaral, da comissão da prefeitura ocupada do evento, lembra que houve atraso na assinatura do contrato que fez de Curitiba a sede da MOP e da COP, mas que agora tudo está na mais perfeita ordem. "Vai dar tempo. Se for preciso um intérprete do chinês, vamos atrás de um", brinca. Mas os atropelos sofridos pelo poder municipal são evidentes. Ainda não há um orçamento fechado para a parte que lhe cabe nas conferências e a comissão está correndo atrás de parcerias atualmente na casa do R$ 1,5 milhão, mas na expectativa de passarem por uma engorda até o fim do mês.
Uma das estratégias de guerra do grupo é o serviço voluntário, com inscrições em aberto no site da prefeitura. Cerca de 500 "anjos" bilíngües já foram identificados. Eles vão ajudar os visitantes. Outra estratégia "que não tem erro" é a do propalado serviço de transporte urbano. Nos dias do evento, os ônibus serão biodiesel, mais apropriados ao estilo da festa. As placas em português/inglês também está prontas e vêm para ficar. Antes disso, vai ter muita correria. (JCF)



