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Quem afirma que nunca existiu carnaval em Curitiba é porque não conhece a família Mazza. Principalmente Carlos Fernando Mazza, irmão de Luiz Geraldo Mazza, o jornalista que na quarta-feira passada nos agraciou com os seus 84 anos de sabedoria.

Quando o metalúrgico Arnaldo Mazza veio do Norte da Itália, convidado para trabalhar na Metalúrgica Mueller & Irmãos, ao chegar a Paranaguá o italiano foi picado por algum inseto tropical que lhe passou para o sangue a paixão pelo carnaval. Uma paixão despercebida na época, depois transmitida para o filho Arnaldo Mazza Júnior e, com todos os sintomas, para os seus dez netos: Nelson, Luiz Geraldo, Arnaldo Mazza Neto, Marlene, Rubens, Maria Tereza, Pandolpho, Celso Tadeu, Carlos Fernando e a caçula Alba.

Essa é uma das teorias que explicam o espírito carnavalesco dessa família curitibana, fenômeno raro na cidade. Outra hipótese diz que o samba chegou ao sangue da prole através de dona Nair Veiga Mazza, esposa de Arnaldo Júnior, filha de Paranaguá e mãe dessa dezena de Mazzas. Faz sentido: moça muito bonita e prendada, dona Nair chegou a ser eleita Rainha do Carnaval de Paranaguá, representando o Clube Rio Branco.

No tempo do antes, quando a Praça da Apoteose do carnaval curitibano era o chafariz da Praça Osório, dois filhos de Nair fundaram a Escola de Samba Não Agite, agremiação que hoje descansa em paz na memória dos foliões. À parte o paradoxo no nome e na origem – uma escola de samba num clube de futebol fundado por alemães já é um despautério –, o fato é que a Não Agite nasceu dentro da casa da família Mazza, nas proximidades do Estádio Couto Pereira. Começou como um bloco de salão e logo botou o Coritiba Foot Ball Club para sambar.

Arnaldo Mazza Neto foi um dos fundadores da escola, ao lado de José Cadilhe de Oliveira, Maé da Cuíca, Afunfa, Julinho da Sapolândia, Almir Malagueta e tantos outros, com destaque na comissão de frente para Zé Maria Pires, o maior carnavalesco de Curitiba em todos os tempos.

Carlos Fernando Mazza é o Mazzinha, o filho mais novo que chegou a ser presidente da Não Agite com apenas 17 anos, em 1965. Seguramente o melhor mestre-sala que o Rei Momo conheceu em Curitiba, quando morou no Rio de Janeiro Mazzinha tinha cadeira cativa na Mangueira e merecia respeito até do famoso Delegado, mestre-sala da Verde e Rosa que tirava o chapéu para o coxabranca.

Luiz Geraldo Mazza (Lulu) é um caso à parte. Consta que em 1973 foi visto pela última vez na avenida ao lado do folclórico Esmaga, da Boca Maldita, atrás de um trio elétrico que Jaime Lerner havia importado da Bahia. Estavam tentando engrenar alguma animação, quando Esmaga pegou Luiz Geraldo Mazza pelo braço e falou ao ouvido do encabulado: "Lulu, será que não vai pegar mal nós dois aqui, atrás desse trio elétrico?"

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