
Correr, caminhar, pular, alongar, jogar bola e dançar. Essas são algumas atividades quase indispensáveis para a formação das crianças, tanto quanto disciplinas regulares da escola, como Português, Matemática e Ciências. Os educadores e os pais mais conscientes sabem disso e buscam envolver os pequenos em atividades que desenvolvam seu raciocínio e a coordenação motora.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estabelece que as crianças precisam de pelo menos cinco horas semanais de atividades para fortalecer os ossos, desenvolver os pulmões e evitar obesidade e doenças cardíacas. Mais do que isso, os professores e profissionais de educação física acreditam que a atividade melhora o desenvolvimento intelectual e auxilia na memória e na concentração. Por isso muitas escolas investem hoje em atividades extracurriculares de exercícios físicos para que os alunos tenham mais tempo para praticá-los e mais de uma opção de esporte.
Os irmãos João Francisco, 8 anos, e Lívia Coimbra, 5 anos, chegam a praticar outros duas atividades além daquelas dadas no horário de aula. No turno da tarde, na mesma escola em que estudam, ele vai para a aula de futsal e ela, de balé, além da natação. A mãe, Ana Lúcia Possa Lima Coimbra, é fisioterapeuta e sabe da importância do exercício para o crescimento saudável dos filhos. "Coloquei eles na natação porque o João tinha bronquite e foi uma indicação médica. As outras atividades foram escolhidas por eles, por gosto pessoal. Nós apoiamos e achamos indispensável, já que estão em fase de desenvolvimento", diz a mãe.
O professor do curso de Educação Física da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) Cláudio Tkac explica que as crianças que não fazem exercício físico não desenvolvem a coordenação motora e isso implica problemas futuros de falta de orientação espacial e definição de lateralidade. Sem isso a criança tropeça, esbarra em objetos e tem problemas de orientação de lado direito e esquerdo.
Tkac diz que uma boa formação de atividade física é como uma boa formação de matemática. Uma base forte vai evitar problemas maiores no futuro.
"Quando a pessoa faz várias atividades físicas na infância, no futuro ela vai poder desenvolver bem uma só. É como um preparo. Além disso, os exercícios melhoram a concentração e contribuem para um bom desempenho escolar", comenta.
A prática da educação física nas escolas é uma forma de condicionar a prática na fase adulta e prevenir doenças futuras. "É como uma poupança de saúde. A criança vai guardando para colher os frutos no futuro", diz o professor.
Variedade
Até os 7 anos, não existe um único exercício indicado, mas o ideal é que os alunos façam um pouco de tudo. A professora de Psicomotricidade do Colégio Positivo Júnior, Letícia Schult Ferreira, trabalha com diversas atividades para que o aluno desenvolva o lado motor. São exercícios como correr, gatinhar, pular e saltar que beneficiam o desenvolvimento intelectual e afetam diretamente a sala de aula.
Para ela, são necessárias atividades diferentes para que a criança ganhe força muscular e desenvolva bem todos os lados. "Isso é um ganho enorme para o futuro. O aluno vai saber se deslocar bem tanto no espaço amplo e pequeno. Fora que eles adoram. Nós professores sabemos dos benefícios, mas para eles é uma diversão", conta Letícia.
O pequeno Gabriel, 2 anos, participa dessas aulas, mas, além delas, caminha com os pais todos os dias da semana. O pai dele, o oficial de Justiça Júlio Antônio Sabbag, conta que quando ele ainda era bebê de colo já o levava para passear ao ar livre. Quando começou a andar, o ensinou a correr e desde então não deixa um dia de levá-lo para se exercitar fora de casa."Foi isso que fez com que ele tivesse um desenvolvimento motor melhor do que as outras crianças da idade dele", explica Sabbag.



