Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Infância

Exploração de adolescentes e crianças é combatida na fronteira

No 1.º dia de operação, 500 menores de 18 anos foram abordados

Foz do Iguaçu – Cerca de 500 crianças e adolescentes foram abordados ontem na Ponte Internacional da Amizade, ligação entre o Brasil e o Paraguai, no primeiro dia da fiscalização desencadeada pela Polícia Federal (PF) e SOS Criança para controlar o fluxo infanto-juvenil na fronteira dos dois países. A maioria dos meninos e meninas, de origem paraguaia, foi impedida de entrar no Brasil por estar sem os pais ou não ter documentos.

Conforme constatações de agentes da PF e dos educadores do SOS Criança, os adolescentes paraguaios barrados na ponte iriam para Foz do Iguaçu ajudar as mães a vender doces e frutas ou auxiliá-las a transportar mercadorias para o Paraguai. Havia também crianças, entre elas indígenas, que tentaram entrar no Brasil para pedir esmolas sozinhas ou com as mães. Ainda segundo o SOS, não foram encontradas crianças brasileiras entrando no país desacompanhadas. Caso isso ocorresse, elas seriam levadas para a família.

A coordenadora do SOS Criança, Edinalva Severo, explica que só está sendo permitida a entrada de crianças e jovens de até 18 anos paraguaios no Brasil que estejam com os pais e apresentem documentos. Ontem, ocorreram casos de adolescentes paraguaios, acompanhados da mãe, que não puderam cruzar a fronteira porque não tinham documentos. Mesmo estando na companhia da mãe, a criança precisa ter uma autorização por escrito do pai para entrar no Brasil. "O procedimento é exigido pelo Tratado do Mercosul", esclarece Edinalva. A mesma norma valerá para brasileiros quando a fiscalização começar na pista de saída do Brasil, onde o trabalho ainda não foi iniciado porque neste trecho a aduana está em obras.

A partir do controle da migração infantil, as autoridades pretendem reduzir a exploração comercial e sexual de crianças e adolescentes que ocorre no Brasil e no Paraguai. Ontem, entre os adolescentes barrados havia dois garotos paraguaios, um de 17 e outro de 18. Ambos foram contratados por turistas para transportar mercadorias em carrinhos até a aduana, mas acabaram tendo de interromper o trajeto na ponte. "Temos que trabalhar para ganhar a vida", diz o jovem de 17 anos que carregava cobertores em um carrinho. Ele conta que costuma ganhar R$ 5 a cada corrida feita. Apesar da proibição, o garoto pretende continuar transportando os produtos, pelo menos até a Ponte da Amizade.

O fluxo infanto-juvenil está sendo controlado em dois pontos. A PF mantém um agente no meio da Ponte da Amizade, acompanhado de um policial rodoviário e um fiscal da Receita Federal, para fazer abordagem de quem entra a pé no Brasil. Na aduana, dois educadores do SOS Criança fazem a averiguação em ônibus, vans e carros de passeio.

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.