Londrina Ricardo Augusto da Silva, 30 anos, passou os últimos dois meses entre sua casa e o Hospital Evangélico de Londrina. Em 19 de maio, ele doou um de seus rins para a irmã Rosimeire Aparecida Augusto da Silva, 35 anos, que sofria de insuficiência renal desde agosto de 2004. O transplante, feito no próprio Evangélico, foi bem-sucedido para Rosimeire. Mas, entre idas e vindas ao hospital, devido a uma infecção contraída no pós-operatório, Ricardo perdeu o baço e teve uma perfuração no intestino. Em dois meses, ele passou por cinco cirurgias. A família acredita que houve erro médico e promete tomar providências a respeito.
"Na primeira noite depois do transplante, uma sexta-feira, eu passei muito mal, sentia muita dor. Mas o médico residente que me atendeu dizia que era normal. Na segunda-feira de manhã, recebi alta", diz. Ricardo conta que continuou a sentir-se mal em casa, foi internado novamente e passou por três cirurgias, segundo ele, para debelar uma infecção. Em um dos procedimentos, teve o baço perfurado e perdeu o órgão.
Posteriormente, ele teve um coágulo no pulmão e passou por nova intervenção. Ricardo ficou uma semana na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e teve alta. Em casa, continuou em internação domiciliar por 16 dias. "Eu estava com um dreno no lugar do corte e saía sangue. Mas começou a sair pus também", explica. De volta à internação no Evangélico, onde se recupera desde 11 de junho, os médicos descobriram uma perfuração no intestino de Ricardo. Agora, ele só se alimenta de suplementos alimentares líquidos e já emagreceu 21 quilos. "Eu acho que não deram atenção quando eu disse que não estava bem, logo no começo", afirma Ricardo, que é casado e tem uma filha de cinco anos.
"Ricardo teve complicações graves decorrentes da cirurgia", disse um dos médicos da equipe que retirou o rim. Prova de que a cirurgia foi bem sucedida, segundo ele, é que o rim transplantado para Rosimeire não foi infectado, o que teria acontecido caso a infecção tivesse surgido durante a operação. O médico afirma que a chance de complicações pós-operatórias existe e, além disso, o paciente que sai da sala de cirurgia com sonda, dreno e uma ferida cirúrgica tem várias portas de entrada para infecção, além de estar com imunidade reduzida.



