A Polícia Federal (PF) desencadeou nesta sexta-feira (30) a Operação Vera Cruz para desarticular um forte esquema de tráfico de drogas comandado por uma família de Cascavel, no Oeste do Paraná. Onze pessoas foram presas: seis no Paraná, duas em Santa Catariana, duas em São Paulo e uma no Pará. No entanto, o chefe do grupo, Almir José Pinto, está foragido. O filho dele foi preso no Paraguai.
A Justiça Federal expediu 22 mandados de prisão e 60 de busca e apreensão para serem cumpridos nos estados do Paraná, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Bahia, Pará e Espírito Santo.
Segundo a PF de Cascavel, a família de traficantes distribuía drogas para os grandes centros do Brasil e tinha ligações com as facções criminosas PCC e Comando Vermelho, que atuam em São Paulo e Rio de Janeiro, respectivamente. Pai, mãe, filhos, primos e cunhados integravam o núcleo principal da quadrilha.
Na região Oeste, a operação começou ainda de madrugada. Em três fazendas localizadas em Catanduvas foram apreendidos oito tratores novos, uma retroescavadeira e uma colheitadeira que, segundo a polícia, foram adquiridos com o dinheiro do tráfico. Quatro pessoas foram presas na cidade entre elas um homem que viajava constantemente ao Rio de Janeiro para negociar drogas nas favelas cariocas. Em um haras do Pará foram apreendidos sete cavalos da raça mangalarga, avaliados em R$ 100 mil cada. Também foram retidos R$ 50 mil em dinheiro.
Segundo o delegado Fábio Simões, uma das características da quadrilha era usar carros de luxo para o transporte de drogas. O veículo era colocado em nome do motorista contratado para fazer o transporte do entorpecente que geralmente seguia viagem usando terno e gravata, mas isso acabou despertando a atenção da polícia. "O motorista que geralmente era uma pessoa muito simples, com dificuldade de dicção, baixo grau de instrução", afirma. Um dos motoristas presos durante os dois anos de investigação, apesar de esta usando terno e dirigir uma caminhonete F-250 em seu nome, carregava um velho par de sandálias na mochila. Patrimônio
O patrimônio da família envolvida no esquema de tráfico está avaliado em R$ 20 milhões, mas já foram bloqueados pela Justiça. Segundo a polícia, a quadrilha possuía um capital de giro de R$ 10 milhões para movimentar o comércio de drogas. Apesar do patrimônio, a família era discreta e não ostentava riquezas. Ao longo dos dois anos de operação, os policiais apreenderam 1,3 toneladas de cocaína e crack e três toneladas de maconha. Em Cascavel, um dos membros da família montou uma loja de carros importados. A polícia não divulgou o nome do estabelecimento comercial.



