
Dentro de alguns meses, os curitibanos devem ter de volta o mais criativo espaço para shows do Brasil a Pedreira Paulo Leminski. Em audiência de conciliação realizada ontem na 4.ª Vara da Fazenda Pública de Curitiba, presidida pela juíza Mariana Fowler Gusso, o município e os moradores da região representados pelo promotor Sérgio Luiz Cordone chegaram a um acordo para a reabertura do espaço: ela agora depende da realização de obras de readequação da área, a serem licitadas e geridas pela prefeitura, e da concretização do minucioso projeto apresentado pelo procurador do município, Silvio Brambila, estabelecendo normas para o uso do local em grandes eventos.Depois de ouvir as linhas gerais do projeto, descritas pelo procurador com a ajuda de representantes da secretarias municipais do Meio Ambiente e da Administração, da Fundação Cultural de Curitiba e do engenheiro responsável, a juíza com a anuência dos representantes dos moradores e do promotor Cordone autorizou a prefeitura a iniciar a remodelação do espaço. Como as obras dependem de licitação, não foi fixado um prazo para a conclusão do processo. Por hora, continua em vigor a liminar judicial de março de 2008, que impede o uso do espaço para shows musicais.
A abertura definitiva só vai ocorrer com a concretização da proposta apresentada pela prefeitura que inclui sistemas de prevenção de incêndio aprovados pelo Corpo de Bombeiros, laudo técnico de impacto ambiental, laudo técnico de sonorização, instalação de ponto de apoio da Polícia Militar, controle de trânsito e bloqueio de vias, policiamento, horários de funcionamento e a adoção da caução para o uso do espaço, entre outras medidas.
Rota de fuga
De acordo com as normas estabelecidas pelos bombeiros, a prefeitura terá de incluir mais uma rota de fuga, erguendo duas escadas no sentido oposto ao da entrada da Pedreira; também terá de observar uma largura mínima em cada uma das rotas; um novo elevador precisará ser construído; os empreendedores terão de contratar equipamentos de som mais modernos, com menos "vazamento" de áudio, e assim por diante. Cumpridas todas essas etapas e sanadas as dúvidas com os órgãos competentes, a Pedreira estará apta para voltar a receber grandes eventos da música.
"Há males que vêm para o bem", resumiu o procurador Brambila na audiência. "Essa liminar fechou a Pedreira, o que não foi bom para o município, mas, por outro lado, vai nos permitir criar ali um espaço mais moderno e seguro, com o padrão Curitiba de qualidade."
Questionado sobre o prazo necessário para a adequação da Pedreira, Brambila ponderou: "Como essas obras dependem de licitação e precisam levar em consideração vários itens de órgãos diversos, elas devem seguir o cronograma de cada secretaria envolvida. Mas pensamos que as obras serão concluídas o quanto antes para podermos reabrir a Pedreira assim que o juízo determinar".
Líder do movimento A Pedreira é Nossa!, o vereador Jonny Stica (PT) saiu otimista da audiência: "O mais difícil já foi resolvido, que era a falta de acordo para a reabertura. Agora cabe à prefeitura implementar essas obras de adequação para que, dentro de alguns meses, a Pedreira possa ser devolvida aos curitibanos. É uma vitória para a vida cultural da cidade".
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