
O primeiro contato entre a economista Renilda Hebel Aleixo, 61, e o papa João Paulo II foi improvisado e surpreendente. Em 1980, o grupo de estudantes universitários ao qual pertencia cantava diante dos portões do Palácio Apostólico, no Vaticano, quando o pontífice apareceu na janela. Aquilo já era suficiente para os jovens ansiosos por vê-lo, mas o papa quis mais. Mandou que abrissem os portões e se encontrou pessoalmente com eles, ali mesmo, sem hora marcada.
Essa espontaneidade inaugurada por Karol Wojtyla no papado é elemento chave para entender porque Roma será tomada por uma multidão de peregrinos no dia 27 de abril, data de sua canonização. O papa que mais viajou pelo mundo em toda a história da Igreja deve atrair para a cidade entre 5 e 7 milhões de pessoas, muitas das quais devem chegar uma semana antes, para as celebrações da semana santa. Em 2011, a cerimônia de beatificação contou com 1,5 milhão de pessoas.
Renilda, o marido e a filha, que mora em Praga, farão parte do mar de devotos que se aglomerarão na Praça de São Pedro. Eles têm plena consciência dos desconfortos que enfrentarão, mas não desanimam. "Eu já tenho ele como um querido intercessor, mas agora, com a santidade declarada pela Igreja, a devoção aumenta ainda mais", diz Renilda, que promete voltar de Roma com uma imagem do santo recém canonizado.
A Arquidiocese de Curitiba não tem dados sobre o número de fiéis que devem partir da cidade para acompanhar a cerimônia, mas tratando-se de um município com tantos descendentes de poloneses, não é difícil supor o grande esforço por parte dessa comunidade para viabilizar a peregrinação. Um exemplo é a professora aposentada Eliane Zaions, 53. Paroquiana da Igreja dos Passarinhos, no Bigorrilho, ela fará parte de um grupo de 30 peregrinos, provenientes de vários lugares da cidade. "Ele fez um pontificado muito significativo, e o fato de ser polonês, naturalmente, gera uma admiração especial nas famílias que têm ligações com a Polônia", diz.
O grupo de Eliane viajará pela agência Paraisotur e aproveitará a passagem pela Itália para conhecer outros destinos importantes na tradição católica, como Assis, Cássia e Lanciano. De acordo com o Marcos Antonio Polveiro, gerente da Paraisotur, o grupo está fechado e o pacote saiu por US$ 3.420. Mesmo assim, caso ainda haja interessados é possível incluir mais peregrinos, mas por preços maiores. As operadoras CVC e MGM não têm pacote específicos para a cerimônia, mas ainda são opções para viagens a Roma.
Ex-aluno do papa prepara festa polonesa em casa
Para o polonês Tadeu Kawalec, conhecido como Tadeu do Pierogi, não vai ser possível repetir o feito de 2011, quando viveu uma aventura indo à beatificação de João Paulo II. Na ocasião, depois de enfrentar 15 horas de fila na Via da Conciliação, ele ficou na primeira quadra e ergueu a mais alta de todas as bandeiras na Praça de São Pedro, graças a uma adaptação feita numa vara de pescar de 6 metros de altura. Dessa vez, ele optou por ficar. Kawalec se prepara para ser diácono e prefere não faltar aos encontros de formação que ocorrem todos os fins de semana.
Mesmo assim, a canonização não passará em branco para o ex-aluno de Wojtyla. Nos anos 1970, Kawalec teve aulas de Ética e Moral com o então bispo de Cracóvia, na Universidade Católica de Lublin, Polônia. Para acompanhar a cerimônia que tornará oficial a santidade de seu ex-professor ele prepara um grande evento, dentro da própria casa. "Vamos reunir amigos e parentes e fazer um grande café da manhã polonês", anuncia. Como a cerimônia deve ser transmitida a partir das 5 horas (10 horas em Roma), a turma de Kawalec vai ter de madrugar.
Os preparativos, diz ele, começarão uma semana antes. "Vamos enfeitar a casa toda e pendurar um banner de 2 metros de altura na sacada". A ideia de expor a devoção em público é consequência do que ocorreu após a morte do papa, em 2005. Ele conta que, na ocasião, fechou sua loja no Centro Cívico e colocou fotografias de João Paulo II na porta. Poucas horas depois apareceram flores e velas diante da porta, e pessoas se benziam ao verem as imagens. "Mantive as portas fechadas por alguns dias, porque não tive coragem de mexer naquelas demonstrações de carinho", conta.
Programação
Para quem também quer comemorar a canonização do papa polonês sem sair de Curitiba, a Missão Católica Polonesa prepara uma tarde de festividades no dia 27 de abril, das 13 às 17 horas.




