O júri de longas-metragens brasileiros do 37.º Festival de Cinema de Gramado fez uma opção política ao dividir a maioria dos prêmios, no último sábado, entre um documentário sobre a questão indígena e uma ficção que se passa no período da ditadura brasileira. Corumbiara, de Vincent Carelli, arrematou os Kikitos de melhor filme, direção, júri popular, montagem e júri de estudantes. O filme, que levou 20 anos para ser concluído, começou a ser filmado em 1985, quando Carelli registra as evidências de um massacre de índios em Roraima, denunciado pelo indigenista Marcelo Santos.
A ficção gaúcha Em Teu Nome, de Paulo Nascimento, levou os troféus de melhor ator, diretor (junto com Carelli) e prêmio especial do júri. O filme conta de forma intimista a história real de um jovem casal de Porto Alegre que lutou contra a ditadura. Corpos Celestes, dos curitibanos Marcos Jorge e Fernando Severo, muito aplaudido durante sua exibição, na sexta-feira, recebeu apenas o prêmio de melhor fotografia (Kátia Coelho).
O júri de longas latino-americanos premiou o perturbador A Teta Assustada, da peruana Claudia Llosa, nas categorias de melhor filme, diretor, e atriz. Lluvia, da argentina Claudia Hernandez, recebeu o prêmio de melhor fotografia. O uruguaio Gigante, uma das boas surpresas da mostra, levou os Kikitos de melhor ator e roteiro.
A jornalista viajou a convite do Festival de Cinema de Gramado.



