
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) inaugura nesta sexta-feira (23) suas novas instalações em Curitiba. A reforma, de mais da metade dos 3 mil metros quadrados, consolida o Instituto Carlos Chagas (ICC) – posto avançado da Fiocruz no Paraná – como referência nacional em biologia molecular. Pioneiro nos estudos das febres chikungunya e Zika, o instituto agora conta com um centro de microscopia que permite estudar a estrutura molecular dos vírus. A ampliação também abre as portas para instituições de ensino e pesquisa que queiram ter acesso à estrutura de ponta disponível.
GALERIA: Conheça o laboratório do ICC em Curitiba
A unidade foi instalada há 14 anos, no Parque Tecnológico da Saúde (Tecpar), inicialmente como Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP). Fruto de uma parceria com a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), o IBMP surge para regionalizar a pesquisa da Fiocruz para o Sul do país.
O know-how em virologia casou com as necessidades locais, e surgiu a demanda de estudar a hantavirose. Com 57 casos só em 2014, a doença tem alta letalidade – mata 40% dos pacientes infectados. E o Sul do país, em especial o Paraná, é um dos principais focos de propagação.
Hoje, o diagnóstico do hantavírus é feito por um kit produzido pelo ICC e distribuído pelo Ministério da Saúde. Além disso, o instituto acaba de desenvolver um “teste rápido” para a doença, em fase de validação.
Foi o estudo da hantavirose que motivou a criação de um laboratório de biossegurança nível três, “único do estado e um dos únicos do país que funciona”, segundo o diretor Samuel Goldenberg. O cuidado é necessário pela facilidade de contaminação do hantavírus, prontamente transmitido pelas vias aéreas, quando há um agente transmissor – que é um pequeno roedor – por perto.
A reforma da infraestrutura é a cereja do bolo de um 2015 vitorioso, do ponto de vista científico. Em janeiro, o Carlos Chagas foi o primeiro laboratório do país a identificar o Zika vírus, graças à análise do ácido ribonucleico (RNA, na sigla em inglês) em oito amostras humanas, vindas do Rio Grande do Norte.
No mês seguinte, em fevereiro, o instituto isolou o arbovírus causador da febre chikungunya. É o passo além da identificação. Permite estudar o vírus em detalhes e, por consequência, desenvolver kits de diagnóstico e medicamentos.
Ao todo, o ICC conta com 200 funcionários, divididos em sete laboratórios.
Parcerias
O espaço é compartilhado com outras instituições. É o caso da UFPR, que criou um programa de pós-graduação em Biologia Celular e Molecular . A PUCPR foi responsável por levar ao instituto a demanda por estudos em células-tronco. A universidade tinha interesse na produção de células coronárias, para pacientes cardíacos. A parceria deu tão certo que em 2008 o ICC criou um laboratório para o tema. A parceria foi mantida, com o instituto cuidando das células e a PUCPR, da engenharia biomédica.

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Com equipamentos modernos, centro de microscopia do Instituto Carlos Chagas está aberto para pesquisadores de outras instituições

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Microscópio eletrônico, que permite visualizar “dentro” dos vírus, é a menina dos olhos do centro de microscopia

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Equipamentos permitem estudar a “engenharia das proteínas”. Permite produzir, por exemplo, antígenos e anticorpos para usar em diagnósticos

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Laboratório de Virologia Molecular permite análises avançadas, como do RNA dos vírus

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Tecnologia de identificação do RNA permitiu ao Carlos Chagas ser o primeiro laboratório do país a identificar ao Zika vírus

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Instituto também foi o primeiro do país a isolar o vírus causador da febre chikungunya, que atingiu mais de 3,6 mil brasileiros, só em 2014

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O Instituto Carlos Chagas é responsável por produzir o diagnóstico em hantavirose, distribuído pelo Ministério da Saúde



