
A atividade de guardadores de carro, mais conhecidos como flanelinhas, está proibida nas ruas de Ponta Grossa (Campos Gerais). A lei criada para extinguir a atividade ilegal na cidade está em vigor desde a última terça-feira. Na prática, a nova norma autoriza a Autarquia Municipal de Trânsito e Transportes (AMTT) a retirar das ruas os guardadores pegos em flagrante na atividade, mesmo que não haja denúncia, e encaminhá-los à polícia para elaboração de termo circunstanciado ou, caso haja identificação de algum crime associado, para a aplicação da pena correspondente (veja no box).
Outras cidades também adotaram esta medida, como é o caso de Cascavel (Oeste), onde a lei está em vigor desde 23 de agosto deste ano, e em Novo Hamburgo (RS), onde a proibição vale desde 26 de dezembro de 2011.
O presidente da AMTT, Edmir de Paula, afirma que o órgão não tem ideia de quantos flanelinhas atuam em Ponta Grossa. "É um fenômeno cíclico, alguns vêm de outras cidades, por isso é difícil quantificar".
Ele ainda explica que a AMTT sempre desenvolveu ações com os guardadores. "Antes desta lei, nós já promovíamos a retirada deles das ruas e os encaminhávamos para casa ou para um abrigo, caso fossem de outra cidade. Mas eles sempre acabavam voltando para as ruas", afirma.
Confiança
O resultado da lei já é aparente em algumas ruas do centro de Ponta Grossa, principalmente no entorno do Terminal de Ônibus, que já não estão concentrando o mesmo número de flanelinhas de algumas semanas atrás. Ezequiel* é um dos que, mesmo com a proibição, prefere correr o risco para manter o seu único meio de sustento. Ele conhecia a discussão acerca da atividade na cidade, mas não sabia que a proibição já estava valendo. Ele tem 36 anos e é flanelinha desde os 17.
Ezequiel reconhece que alguns colegas de atividade não respeitam os "clientes". "Eu cuido de verdade dos carros, mas não sei se as pessoas acreditam. É a forma que eu tenho de garantir o meu feijão com arroz", ressalta. Ele também revende talões de estacionamento regulamentado com um valor acima do preço praticado pela AMTT. Com o tempo, Ezequiel acabou conquistando uma clientela fiel.
"Eu deixo meu carro aqui duas a três vezes por semana e ele [Ezequiel] sempre está por perto. Prefiro pagar um pouco mais pelo talão do que ficar procurando os funcionários da Autarquia, que são poucos", afirma o profissional de logística Marcelo Hartmann.
Edmir reconhece que a AMTT tem pessoal em número abaixo do ideal. "Temos 68 pessoas para os serviços externos, mas precisamos de 132 funcionários nas ruas", afirma. No entanto, segundo ele, não há previsão para novas contratações. Ele diz que a revenda do talão de estacionamento regulamentado não é proibida desde que o valor não esteja acima do preço praticado pela Autarquia.
* Nome fictício.



