Telêmaco Borba Um abalo sísmico de 4,3 graus na escala Richter surpreendeu os cerca de 60 mil habitantes de Telêmaco Borba, a 235 quilômetros de Curitiba, na noite de quarta-feira. Mas, felizmente, tudo não passou de um susto o terremoto não causou qualquer dano à cidade ou à população. Dois tremores, de aproximadamente cinco segundos de duração cada, em um intervalo de também cinco segundos, atingiram Telêmaco Borba por volta das 21h30. O epicentro do fenômeno foi na cidade, mas outros seis municípios da Região dos Campos Gerais Imbaú, Ortigueira, Reserva, Tibagi, Castro e Ponta Grossa também foram atingidos pelo terremoto, mas com menor intensidade.
Para os padrões brasileiros, a magnitude foi "significativa e excepcionalmente forte", de acordo com o professor do Observatório de Sismologia da Universidade de Brasília, Vasili Marza. Segundo ele, o maior terremoto registrado no Brasil, foi em 1955, na cidade de Porto dos Gaúchos, no Mato Grosso, e atingiu 6,6 graus na escala. No ano passado, o maior abalo ocorreu no mesmo local e teve uma intensidade de 5,0 graus.
Apesar dos tremores, nenhum caso de ferimento foi notificado pelos hospitais da cidade. Também não ocorreu nenhum dano material em casas ou edifícios. De acordo com o Observatório, esse foi o 13.º abalo sísmico registrado no Paraná nos últimos 100 anos.
De acordo com Mazar, a causa do fenômeno foi uma falha geológica. Mas para detalhar o real motivo do abalo seria preciso um estudo do mapa geológico da região, segundo Ademar Fiorini, gerente da divisão de Engenharia Civil da Itaipu Binacional, que mantém uma rede sismográfica em Foz do Iguaçu.
Alerta
Ontem, a comissão de Defesa Civil da cidade se reuniu duas vezes para avaliar o fenômeno. De acordo com o prefeito de Telêmaco Borba, Eros Danilo Araújo (PMDB), que também preside a comissão, os abalos serviram para que a cidade fique preparada para outros fenômenos que possam causar mais estragos. "Foi algo inédito, que nos surpreendeu e nos deixou em alerta" afirma. Após os tremores, a prefeitura pretende treinar alguns moradores da cidade para que atendam o restante da população em casos de urgência e emergência. "Como o epicentro ocorreu aqui mesmo, o medo que volte a tremer a terra é grande. Temos que preparar as pessoas para o inesperado", confessa.
E foi justamente o medo que fez a aposentada Nair Costa, de 71 anos, ficar sem dormir durante a madrugada de ontem. Ainda muito assustada com o fenômeno, Nair teve que tomar remédios para tentar se acalmar. Mesmo assim, ela pretendia passar mais uma noite em claro. "Não vou dormir de novo. Quero estar preparada e correr quando a terra tremer novamente", diz.
Segundo o professor Mazar, não é possível prever se a terra vai voltar a tremer em Telêmaco Borba, mas não existe motivo para as pessoas ficarem preocupadas. "Podemos falar que é pouco provável que um sismo maior ocorra justamente porque é uma situação localizada", disse. De acordo com ele, apesar do Brasil estar localizado no centro de uma placa tectônica, abalos como o registrado na última quarta-feira podem ocorrer em qualquer parte do país. Ano passado, por exemplo, foram registrados sismos em Fortaleza, Rio Grande do Norte, Mato Grosso, Acre e Amazônia e, em alguns casos, os tremores nem chegaram a ser sentidos.
Mesmo sendo considerados de nível alto, os tremores de terra em Telêmaco Borba foram pequenos se comparados aos abalos sentidos em países como o Japão e mais recentemente no Paquistão, quando um terremoto de 7,6 graus matou mais de 80 mil pessoas em outubro do ano passado. O terremoto que gerou o Tsunami na Ásia em 2004, por exemplo, tinha mais de 9 graus.



