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Saúde

Fora do consultório, jaleco faz mal à saúde

HC inicia campanha para conscientizar profissionais e estudantes de que avental não deve ser usado fora do hospital

Profissional anda com jaleco pela rua: aumento do risco de contaminação | Daniel Castellano/Gazeta do Povo
Profissional anda com jaleco pela rua: aumento do risco de contaminação (Foto: Daniel Castellano/Gazeta do Povo)

Médicos não devem andar pela rua nem entrar em estabelecimentos externos ao hospital usando um jaleco – isso pode gerar um prejuízo para a saúde da população. Pensando nisso, o Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Federal do Paraná lançou ontem a campanha "Uso adequado do avental". A orientação é para que estudantes e profissionais de saúde não usem o avental fora das dependências do hospital.

Cartazes foram afixados em res­­taurantes, estacionamentos e em outros estabelecimentos co­­mer­­­­ciais próximos à instituição para ajudar na propagação da ideia. Desde julho, o colunista Reinaldo Bessa, da Gazeta do Po­­vo, faz uma campanha sobre o as­­sunto e vem publicando de­­núncias sobre médicos que frequentam restaurantes de jaleco, aumentando o risco de contaminação de terceiros com vírus e bactérias.

Vilões

Mesmo com a orientação da Orga­­nização Mundial de Saúde (OMS) de que o avental não seja usado em locais públicos, a determinação ainda não é respeitada. É o caso do auxiliar de enfermagem Robson*, que diz nunca se lembrar de tirar o jaleco quando vai lanchar, por exemplo. Para ele, a culpa é da correria do dia a dia no hospital. "Não me lembro mesmo de tirar o avental. Preciso sair e voltar correndo, senão fica tudo acu­­mulado". Ele admite que não deveria ser assim, porque as im­­plicações são danosas tanto para quem está no hospital quanto para quem está no estabelecimen­­to em que o profissional entra.

Para a enfermeira Karin Loh­­mann, do HC, é importante lembrar que o jaleco é considerado como um equipamento de proteção individual contra microorganismos. Sendo assim, precisa ser usado com cuidado: sempre fechado, com o mínimo possível de costuras e sem abertura lateral.

Ela acredita que o uso indiscriminado em locais públicos se dá pela falta de informação e pela banalização do uso. "Entre os estudantes, por exemplo, percebe-se que o uso fora das dependências ocorre para demonstrar o status da profissão", afirma. Integrante do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do HC, ela lembra que os microorganismos podem ficar vivos por até 90 dias.

Projeto

Devido uma série de denúncias recebidas, o deputado estadual Ney Leprevost (PP) protocolou um projeto de lei que aguarda a aprovação pela Comissão de Constituição de Justiça (CCJ). O documento busca restringir o uso de jalecos e aventais fora das dependências dos estabelecimentos de saúde do Paraná, como bares, lanchonetes e restaurantes.

A fiscalização, segundo o projeto, deverá ser feita pela Vigi­­lân­­cia Sanitária municipal e estadual e o projeto prevê uma multa de 100 Ufirs (Unidade de Refe­­rência Fiscal), ou R$ 193,72 para o profissional que desrespeitar a lei. Em caso de reincidência, a cobrança deverá ser em dobro. "A medida tem caráter educativo", afirma o deputado.

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Interatividade

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