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Saúde

Fórmula mágica não reduz peso

Substâncias que garantem saciedade mais rápida e prometem inibir o apetite não garantem emagrecimento e podem prejudicar a saúde

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Entenda como a Grelina e o Pyy funcionam no organismo |

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Entenda como a Grelina e o Pyy funcionam no organismo

Alguns estão à venda em lojas, outros são encontrados no mercado negro e, mesmo sem qualquer orientação médica, podem ser comprados livremente pela internet. Os produtos com "fórmulas mágicas" que prometem aumentar a saciedade durante as refeições, rendendo emagrecimento rápido – e sem o mínimo esforço físico –, fazem tanto sucesso que, há duas semanas, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) causou polêmica ao abrir uma consulta pública sobre a possível proibição de algumas substâncias de remédios para perda de peso.

Para as pessoas que recorrem aos mais variados tipos de produtos na hora de emagrecer, os especialistas alertam que "ingredientes milagrosos" não resolvem o problema do excesso de peso. Pior: podem ter efeito contrário, adicionar uns quilos às medidas e, em casos mais graves, render até problemas de saúde. "É uma ilusão achar que um pó que promete acabar com a saciedade ou um comprimido de origem duvidosa que jura inibir o apetite vai ajudar na dieta. Dependendo da composição, eles podem ser bombas para o organismo", comenta a nutricionista clínica Marilize Tamanini.

Para fugir de ciladas, a recomendação é não cair nas propagandas. "Esse marketing exagerado pode esconder péssimos ingredientes. Se um produto promete que você vai perder 20 quilos em um mês sem fazer qualquer esforço, pode saber: ele é uma fraude e vai comprometer a sua saúde", alerta. Na dúvida, o melhor é sempre procurar a orientação de um profissional e só utilizar produtos recomendados por um médico de confiança.

A médica nutróloga da Asso­­ciação Brasileira de Nutrologia (Abran) Marcella Garcez Duarte explica que, por enquanto, o problema preocupa médicos e autoridades no Brasil, mas não chega a ser alarmante. "Recen­­temente fui aos Estados Unidos e é impressionante a diversidade de produtos nesse sentido, seja antibióticos de uso controlado ou suplementos alimentares. Por aqui, felizmente, há um controle firme em relação a esse tipo de produto, então a situação não é tão grave", considera Marcella.

Internet

O problema, segundo ela, está na internet. "Várias substâncias são proibidas no Brasil, mas basta entrar em qualquer site de busca e procurar por remédios para emagrecer para ver a quantidade de resultados. Muitos desses sites vendem pela internet e prometem resultados que nunca serão atingidos ou, pior, se forem atingidos, será a custo do comprometimento da saúde."

Um exemplo desse tipo de produto é o Sensa Tastant, um pacote com cristais, lançado nos Estados Unidos no ano passado, que promete emagrecimento rápido ao adiantar a sensação de saciedade. Segundo a publicidade do produto, ele é eficaz porque realça o aroma e o sabor dos alimentos, o que faria com que o cérebro interpretasse que a pessoa comeu mais do que realmente ingeriu, matando a fome mais rápido. O mecanismo, segundo os especialistas brasileiros, não parece dos mais confiáveis.

"Se a proposta é gerar emagrecimento a partir disso, não vejo qualquer relação. O que nos sacia é o preenchimento do estômago, não o aroma ou a beleza do prato. Pelo contrário, quando o prato tem um cheiro muito bom ou é visualmente atraente, a pessoa tende a sentir mais vontade de comê-lo", diz Andressa Miguel Leitão, médica endocrinologista do Hospital Nossa Senhora das Graças.

A fórmula do produto, segundo Marcella, mostra como ele não realiza todas as promessas feitas. "O site afirma que a composição é livre de calorias, mas ele é formado por maltodextrina, uma substância que tem 4 calorias a cada grama, tem corantes e uma série de substâncias que, contrariando o que fala a propaganda, são sintéticas e nada saudáveis, como sílica, um material usado para reter umidade em bolsas, malas e pastas."

Outro problema é que ele não é aprovado pela Food and Drug Administration (FDA) – o equivalente norte-americano à Anvisa – e não tem trabalhos científicos que comprovem sua ação. "Assim como outros produtos, ele pode não fazer mal ao organismo, mas com certeza ilude as pessoas, que gastam dinheiro achando que vão perder peso em pouco tempo", diz Marcella. Consultado, o Conselho Regional de Nutricionistas do Paraná (CRN-PR) confirmou que não há pesquisas científicas com respaldo técnico sobre esse produto ou qualquer outro com atuação semelhante.

O que fazer

Para se saciar de maneira natural, sem prejudicar a saúde, a dica da nutricionista é investir em algumas dicas básicas. "A primeira é comer com qualidade. Se a pessoa inclui frutas, verduras e legumes em sua alimentação, opta por cereais integrais, come devagar, mastiga bem os alimentos e não troca o prato de arroz, feijão, salada e carne no almoço por um sanduíche, tem grandes chances de se alimentar na medida certa", recomenda Marcella.

Também é importante abandonar o fast food e os refrigerantes. "Eles promovem um estufamento, mas são calorias vazias que passam rapidamente pelo estômago, levam pouquíssimo tempo para serem absorvidas e fazem com que o organismo queira mais alimento e em pouco tempo", diz Marilize. O mesmo processo acontece com pães brancos, massas e doces. "Por isso é quase impossível comer um bombom só no meio da tarde."

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