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Saúde

Fumaça gerada pela queima do diesel causa câncer, alerta OMS

Após 30 anos de pesquisas, a Organização Mundial da Saúde declarou que a substância expelida na combustão do óleo é responsável por tumores de pulmão e bexiga

Fumaça do escapamento do motor a diesel foi classificada como “definitivamente” cancerígena | Marcelo Andrade/Gazeta do Povo
Fumaça do escapamento do motor a diesel foi classificada como “definitivamente” cancerígena (Foto: Marcelo Andrade/Gazeta do Povo)

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou oficialmente que a fumaça do escapamento de motores a diesel é agente causador de câncer. As pesquisas, que começaram há quase três décadas, chegaram à conclusão de que a queima do combustível é responsável por casos de câncer de pulmão e também pode provocar tumores na bexiga.

Dessa forma, a Agência Internacional de Pesquisas sobre o Câncer (IARC, na sigla em inglês), órgão integrante da OMS que já havia classificado em 1988 a fumaça como "provavelmente" cancerígena, mudou a classificação para "definitivamente" cancerígena. A decisão coloca o produto resultante da queima do diesel na mesma categoria de risco de uma série de substâncias nocivas, como amianto, arsênico, álcool e cigarro.

A OMS baseou suas descobertas em pesquisas com trabalhadores de alto risco, como mineiros, funcionários ferroviários e caminhoneiros. Mas os cientistas ressaltam que todas as pessoas devem tentar reduzir sua exposição à fumaça do diesel, já que ela afeta pedestres e passageiros. Os pesquisadores concluíram que os trabalhadores expostos à fumaça com maior frequência têm mais chances de morrer de câncer no pulmão.

A OMS também concluiu que respirar fumaça resultante da queima de gasolina é possivelmente um fator cancerígeno. Desde 1971, foram avaliados mais de 900 agentes, dos quais 400 foram classificados como cancerígenos ou potencialmente cancerígenos para o homem.

Políticas públicas

A revelação da OMS pode fazer com que novas políticas públicas sejam adotadas para reduzir a emissão do gás no meio ambiente. O médico Henrique Silveira, integrante do Centro de Pesquisa em Oncologia Molecular do Hospital do Câncer de Bar­­retos, considera que essa divulgação é de suma importância para que se busque alternativas menos poluentes. "Precisamos de políticas públicas eficientes. A revelação da OMS tem de ter reflexos práticos, como melhorias no transporte público e ampliação do número de ciclovias", salienta.

Causas externas

Especialistas, no entanto, salientam que dificilmente o simples fato de a pessoa ficar exposta à queima do óleo poderá resultar em câncer. A emissão do combustível seria mais um fator que provocaria tumores. "A doença pode ser resultante de uma série de combinações, como fumo e também emissão de diesel", ressalta Silveira.

A oncologista do Hospital das Clínicas de Curitiba e integrante do Centro Integrado de Oncologia de Curitiba, Karina Costa Vianna, salienta que pesquisas anteriores já mostravam que a queima do combustível poderia provocar câncer. "Mas é difícil saber se outras formas externas também não podem, juntas, ter contribuído para a incidência do tumor. Ou, ainda, se o paciente não tinha predisposição genética", afirma.

Segundo ambos, é necessário que as pessoas procurem manter hábitos saudáveis para tentar evitar o surgimento da doença. "Um estilo de vida sem fumar, sem ingerir bebidas alcoólicas, com uma alimentação balanceada e a prática de exercícios físicos tende a diminuir os riscos de câncer provocados por agentes externos", afirma Silveira.

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