
Falta de espaço, problemas de armazenamento e umidade. Esses foram os três fatores que levaram ao descarte de 20 mil dos 35 mil livros da Biblioteca Pública Municipal Professor Bruno Enei, em Ponta Grossa. Depois de dois laudos um da Universidade Estadual de Ponta Grossa e outro da Biblioteca Pública do Paraná (BPP) , que comprovaram a existência de fungos nos livros, todos os exemplares contaminados serão incinerados até o fim do mês.
A destruição dessas obras, segundo a coordenadora da biblioteca, Gisele França, é consequência de mais de 70 anos sem um espaço próprio. Ela conta que, desde que a biblioteca foi inaugurada, em 1940, já passou por 11 locais diferentes. "Cada mudança gera grande prejuízo a todo o acervo".
Mas foi em seu último endereço, a Estação Saudade, que a situação se agravou. A umidade e o pouco espaço para armazenar as obras resultaram na proliferação de dois tipos de fungos Rhodotorula spp e Fusarium spp, ambos contagiosos e prejudiciais ao papel e à saúde humana.
Histórico
A biblioteca se mudou para a Estação Saudade em 2004, em caráter provisório e acabou permanecendo no local até dezembro de 2012, quando o prédio, construído especificamente para abrigar o acervo, ficou pronto.
A coordenadora da biblioteca conta que os livros sempre receberam processo de higienização padrão. Mesmo assim, não foi possível evitar a contaminação das obras. A decisão de descartar os títulos só foi tomada depois que todos os 35 mil exemplares passaram por um processo de descontaminação. Entretanto, nem todos foram salvos. "Ainda havia a possibilidade de fazer um banho de restauro, mas é muito caro e não compensava, já que se trata de obras facilmente encontradas em sebos a preços menores", lembra. Cada banho pode custar cerca de R$ 250 por obra.
"Infelizmente, algumas obras estavam contaminadas e foram condenadas pelo ambiente muito úmido", explica Vilma Gural Nascimento, assessora técnica da BPP.
Os livros contaminados ficaram armazenados na Estação Saudade até a última terça-feira, quando foram removidos para o barracão do Instituto Brasileiro do Café de Ponta Grossa (IBC). A previsão é de que as obras sejam incineradas até o final do mês.



