O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) apresentou neste mês duas denúncias à Justiça contra integrantes de um grupo de extermínio que atua na região de Maringá. As denúncias tramitam na 4ª Vara Criminal do Município e têm relação com um homicídio ocorrido há cerca de dois anos.
As ações foram divulgadas na tarde desta quarta-feira (21) pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR). Uma das denúncias é contra um criminoso e dois comparsas, acusados de envolvimento no assassinato de um integrante do próprio grupo. O Gaeco ainda apresentou o nome de cinco pessoas acusadas de fraude processual: o falso autor do homicídio, uma advogada, o chefe do grupo criminoso e dois investigadores da Polícia Civil.
O Gaeco apurou a fraude com base em escutas telefônicas. Segundo o promotor de Justiça Laércio Januário de Almeida, uma das vítimas era o verdadeiro assassino do caso denunciado por fraude processual. "A Promotoria aponta que o criminoso (conhecido como Marquinhos Borboleta) teria se tornado inconveniente para a gangue e foi eliminado como queima de arquivo, para que diversos crimes praticados pelo grupo criminoso ficassem impunes", explicou nota encaminhada para a imprensa.
A morte de "Borboleta" ocorreu em agosto de 2010. A vítima foi alvejada por vários tiros de pistola 380, (calibre 9 mm), que inclusive atingiram sua cabeça. Ele era indicado como autor do homicídio de pelo menos duas pessoas.
Policiais envolvidos
Os membros da Polícia Civil não teriam ligação com o tráfico de drogas, mas ajudavam alguns integrantes do grupo. "Os policiais acobertavam a quadrilha. Tinham consciência de quem eram as pessoas envolvidas, mas ficaram em silêncio", declarou Leonir Batisti, coordenador estadual do Gaeco. Segundo ele, 40 pessoas estariam indiretamente ligadas ao grupo. Muitos, inclusive, são traficantes ligados ao que Batisti chamou de pistolagem (pessoas encarregadas de matar).
Operação Mandacaru
As duas denúncias constituem desdobramento de investigações da Operação Mandacaru, feitas pela Polícia Federal com a participação do Gaeco de Maringá durante oito meses entre 2010 e 2011. A operação desmantelou uma organização com base em Maringá que atuava no tráfico de drogas internacional e interestadual (no Paraná, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraíba).
Os integrantes foram acusados de tráfico de drogas, associação para o tráfico, financiamento de tráfico, além de posse de armas e munições de uso permitido e de uso restrito. Ao todo, 65 pessoas foram denunciadas na esfera estadual, incluindo três policiais civis acusados de prevaricação (por facilitarem a atuação do grupo criminoso). Outras três pessoas, inclusive um cartorário, foram denunciados por falsificação de documento.
Outros membros da organização foram denunciados por dois homicídios e uma tentativa de assassinato. Todas as mortes estavam ligadas a acertos envolvendo drogas.



