Rio de Janeiro Um homem simples, de hábitos prosaicos, como bater papo no bar com vizinhos e assistir a um grupo de crianças jogar futebol num campinho. Um milionário generoso, que presenteou dez dos 11 irmãos com uma casa, e só não contemplou o 11.º porque morreu antes. Considerado por amigos, parentes e meros conhecidos uma pessoa pacata e gentil, que não mudou de personalidade quando se viu rico, René Senna levou quatro tiros de pistola à queima-roupa no dia 7, pouco mais de um ano depois de ganhar sozinho R$ 52 milhões na Mega-Sena acumulada.
O crime mobilizou Rio Bonito, cidade de 50 mil habitantes, a 1h30 da capital carioca, onde ele morava. As notícias de que a viúva, Adriana Almeida, possa ter encomendado a execução revoltou os moradores. A mulher, que já foi dona de um salão de beleza e parou de trabalhar quando começou a viver com Senna, vem sendo considerada suspeita por uma série de indícios, aponta com veemência Marcus Rangoni, o advogado da filha única de Senna, Renata, de 25 anos.
Vida simples
Ex-lavrador e ex-açougueiro, Senna tinha 54 anos e havia amputado as pernas, no meio da coxa, por conta da diabetes, pouco antes de ganhar o prêmio; Adriana é 25 anos mais jovem. O casal brigou três dias antes do assassinato e Adriana saiu de casa. Senna desconfiava que a mulher (que, depois de ir morar com ele, fez lipoaspiração, alongou os cabelos, removeu verrugas e operou varizes) mantinha um caso com um dos seguranças que guardava a belíssima fazenda em que viviam, de valor estimado em R$ 9 milhões e com câmeras por todos os lados. No enterro, Adriana não chegou perto do caixão do marido.
Essa é apenas uma parte das muitas histórias que circulam por Rio Bonito. Algumas foram relatadas por Renata em seu depoimento ao delegado Ademir Silva, da delegacia local. Ele se diz consciente de que o inquérito é peça importante para a futura partilha dos bens, então mantém-se cauteloso. "Se a polícia concluir que uma das duas é culpada, a outra leva tudo. Eu não vou me precipitar e não vou ser óbvio", afirma.
Adriana não deu entrevistas depois da morte de Senna, mas seu advogado, Alexandre Dumans, vem levantando dúvidas quanto à idoneidade de Renata. "O interesse dela é ganhar um pacote de milhões", acusa Dumans. O advogado de Renata retruca: "Renata era muito próxima do pai até Adriana aparecer.". Ângela, irmã de René, tem uma conclusão na ponta da língua: "Só sei que ele morreu por causa do dinheiro. Se fosse pobre, estava aqui com a gente."







