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Ciência

Genes decidem como os casais são formados

Estudo da UFPR mostra que mulheres conseguem perceber, pelo cheiro, quais homens têm chance de produzir filhos geneticamente mais saudáveis

Maria da Graça Bicalho: pesquisa feita com 242 casais do Paraná revela influência da genética na atração sexual | Albari Rosa/Gazeta do Povo
Maria da Graça Bicalho: pesquisa feita com 242 casais do Paraná revela influência da genética na atração sexual (Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo)

Quem acredita naquele velho ditado que o amor é uma questão de química pode ter sua teoria comprovada pela genética. A pesquisadora e professora de genética da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Maria da Graça Bicalho fez uma pesquisa com 242 casais que moram no Paraná e constatou que as pessoas tendem a escolher parceiros com sistema imunológico bastante diferente do seu.

A pesquisa analisou uma parte do DNA que coordena o sistema imunológico humano, o HLA – sigla em inglês que quer dizer antígenos leucocitários humanos. O HLA é responsável pela defesa do organismo. Dos 90 casais reais – os outros 152 foram formados por acaso para o estudo – a maioria apresentou grande diversidade genética no sistema imunológico. "É essa diversidade que garante a diversificação da espécie e permite que os descendentes sejam mais fortes e adaptáveis", explica.

Quanto mais variados forem os genes responsáveis pela defesa do organismo, mais chance a pessoa tem de se defender de doenças genéticas. Maria da Graça explica que nessa mesma região do DNA há outros genes que permitem à pessoa identificar o cheiro e fazem com que as pessoas se atraiam por ele. "São as mulheres que fazem essa escolha pelo cheiro. Ela percebe que o parceiro tem genes diversificados de defesa do organismo por meio de pistas olfativas. Mas é um processo inconsciente", diz a pesquisadora.

João Carlos Marques Magalhães, professor da UFPR que também participou da pesquisa, diz que até agora só nessa região do DNA humano foram encontradas características que influenciam no relacionamento e na reprodução. "Claro que não é só isso que afeta a escolha de um namorado. Fatores antropológicos, psicológicos e sociais são muito relevantes. É uma mistura desses fatores".

Os pesquisadores explicam que estudo semelhante foi feito na Suíça em 2005 e constatou que mulheres que tomavam anticoncepcionais – o organismo entende como se elas estivessem grávidas por causa da taxa de hormônios – não se sentiam atraídas por pessoas com o HLA muito diferente. Segundo Magalhães, isso mostra que quando as mulheres estão grávidas elas não procuram mais parceiros geneticamente diferentes. Passam a desejar parceiros iguais, para ajudar na criação dos filhos.

A pesquisa desenvolvida pela UFPR foi apresentada no final de maio na Áustria durante um seminário da Sociedade Europeia de Genética Humana. A equipe de pesquisadores diz que vai continuar com os estudos, agora para tentar levantar outras pistas externas, além do cheiro, que reflitam a influência da diversidade genética na escolha de um parceiro.

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