
Brasília - O Diário Oficial da União trouxe na edição de ontem a decisão do ministro da Justiça, Tarso Genro, de expulsar do território nacional o megatraficante Juan Carlos Ramirez Abadía. Genro autorizou também a entrega de Abadía ao governo dos Estados Unidos. Entretanto, o megatraficante só irá embora após sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A extradição já havia sido decidida pelo governo brasileiro no início de agosto. Segundo o secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior, ele deverá ser extraditado dentro de uma semana.
Abadía foi preso no dia 7 de agosto do ano passado em um condomínio de luxo em Aldeia da Serra, na região metropolitana de São Paulo. Ele é apontado pela Drug Enforcement Administration (DEA), a agência antidrogas americana, como um dos maiores traficantes do mundo e um dos líderes do cartel do Norte do Vale, na Colômbia.
No Brasil, ele foi denunciado sob acusação de lavagem de dinheiro, uso de documento falso, formação de quadrilha e corrupção ativa. O colombiano teria fugido para o Brasil em 2004 após o pedido de extradição formulado pelos Estados Unidos.
Nos Estados Unidos, Abadía é acusado de traficar drogas no Colorado e em um dos distritos de Nova Iorque e, como líder do cartel, teria enviado mil toneladas de cocaína para aquele país. Ele ainda é acusado de ordenar 315 assassinatos 300 na Colômbia e 15 nos EUA.
Em março deste ano, o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) já havia autorizado a extradição.
Isolado
O traficante está no regime disciplinar diferenciado (RDD), na penitenciária federal de Campo Grande (MS), mesmo regime imposto a Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar.
O regime prevê isolamento total em relação aos outros presos os banhos de sol são feitos em celas individuais, por meio de um solar. As saídas das celas só ocorrem durante visitas semanais de parentes e encontros com advogados. Não há visita íntima quinzenal.
Abadía e Beira-Mar são acusados de envolvimento em um esquema de extorsão e seqüestros de autoridades de Mato Grosso do Sul e de outros estados, desarticulado pela chamada Operação X, da Polícia Federal.




