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segurança pública

Grande Curitiba vive “epidemia” de explosões a caixa eletrônico

Nove terminais bancários foram assaltados com o uso de dinamite do início do ano até agora. Último ataque ocorreu ontem em um shopping automotivo

Com a força da explosão, peças do caixa eletrônico foram arremessadas a 30 metros: seis carros seriamente danificados | Anderson Tozato/Tribuna do Paraná
Com a força da explosão, peças do caixa eletrônico foram arremessadas a 30 metros: seis carros seriamente danificados (Foto: Anderson Tozato/Tribuna do Paraná)

Bandidos usaram dinamite para roubar um caixa eletrônico localizado dentro de um shopping automotivo no bairro Ta­­rumã, em Curitiba, ontem de manhã. Na explosão, duas funcionárias da equipe de limpeza ficaram feridas. A quadrilha fu­­giu levando dinheiro do terminal, além de duas armas e dois coletes balísticos de seguranças. Segun­­do o Sindicato dos Vigilan­­tes (Sindivigilantes), foi o nono ataque a caixas eletrônicos com explosivos registrado neste ano na capital e região metropolitana (RMC).

Vídeo: veja as imagens de câmeras de segurança da loja

Por volta das 8h20, três ho­­mens armados renderam o porteiro do Auto Shopping Curitiba, que fica na Linha Verde, e entraram no prédio. Lá, funcionários e dois vigilantes da empresa Pro­­forte, que fariam a retirada do dinheiro do terminal eletrônico, também foram dominados pelos bandidos. Em uma ação rápida, eles colocaram uma carga de explosivos junto ao caixa eletrônico e detonaram o artefato. A explosão foi gravada por câmeras de segurança, que mostram as vítimas e os suspeitos se jogando ao chão, antes da detonação.

Duas funcionárias, de 33 e 44 anos de idade, ficaram levemente feridas: uma foi atingida por estilhaços e outra teve o ombro deslocado na queda. Da entrada do grupo no shopping à fuga, foram cerca de 2 minutos e 20 segundos.

Prejuízo

Segundo Adriano Barbosa, advogado do shopping, pelo menos seis carros que estavam expostos foram seriamente danificados, mas vários outros veículos tiveram avarias menores, como riscos e pequenos amassados. O valor levado pelos bandidos não foi informado.

"O grupo investe em mecanismo de segurança, como câmeras e monitoramento eletrônico. Entretanto, o que aconteceu foge à razoabilidade. Foi uma ação ousada", definiu. Segundo Bar­­bosa, em novembro do ano passado, o shopping havia solicitado ao Bradesco a retirada do terminal eletrônico do estabelecimento.

O mais curioso é que, oito horas antes, a revenda havia sofrido um outro ataque, provavelmente da mesma quadrilha. Por volta das 23h30 de domingo, assaltantes dominaram um funcionário e foram direto no caixa eletrônico. A carga de explosivos usada nesta ação, no entanto, não foi suficiente para arrebentar o compartimento que guardava o dinheiro. A primeira ação foi registrada pela Polícia Militar. "O que se espera é que o caso seja solucionado", disse o advogado.

Em 2011, 49 terminais foram roubados na RMC

A Delegacia de Furtos e Roubos (DFR) de Curitiba acredita que mais de uma quadrilha esteja praticando os roubos a caixas eletrônicos na região.

O delegado Guilherme Rangel diz que o uso de dinamite nos assaltos se tornou mais comun a partir da metade do ano passado, depois que um lote de explosivos foi roubado do paiol de uma pedreira, em Almirante Taman­­da­­ré, na região metropolitana da capital.

Desde então outras cargas de dinamite foram levadas de pedreiras em Campo Magro, na Grande Curitiba, e de Joinville (SC). "Um dos problemas é que os bancos lucram bilhões por ano, mas não investem em segurança", critica.

Segundo o Sindicato dos Vigi­­lantes (Sindivigilantes), 49 caixas eletrônicos foram alvo de ataques em 2011 em Curitiba e região metropolitana. "Na grande maioria dos casos, os terminais foram explodidos", afirma o presidente do sindicato, João Soares.

Rangel diz que a polícia analisa as imagens do sistema de segurança do shopping e aguarda laudos da perícia feitos no local.

Convênio

Uma das pistas deve surgir a partir da identificação da origem do explosivo junto ao Exército, que é o órgão que fiscaliza a compra e a venda de explosivos no país. Soa­res sugeriu que a Secreta­ria de Segurança Pública firme um convênio com as Forças Armadas para ter acesso mais ágil a esse banco de dados. Isso, segundo ele, facilitaria o trabalho da polícia.

"Outros estados, como Santa Catarina, já mantêm esse tipo de convênio. Como o Exército cadastra os explosivos, essas informações poderiam até ajudar nas investigações", afirma.

Veja imagens de câmeras de segurança divulgadas pela DFR

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