São Paulo O ministro afastado do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Paulo Medina, pode estar envolvido em mais um caso de venda de sentenças. Uma conversa telefônica gravada com autorização judicial mostra Virgílio Medina, irmão do ministro, negociando uma decisão judicial que favorecia um banco.
O caso foi revelado ontem pelo Jornal Hoje, da TV Globo. Segundo a reportagem, o inquérito da Polícia Federal revela que, antes do julgamento, o ministro Medina se reunia com o irmão e os advogados da instituição financeira.
Pela conversa gravada e divulgada no telejornal, Virgílio combina com o advogado que defendia o banco uma viagem a Brasília para tratar do caso. No julgamento, o ministro Paulo Medina decidiu a favor do banco.
Na semana passada foi revelado um outro caso em que Medina teria antecipado seu voto e orientado a defesa a agir em processos que tramitavam no STJ. Após essa revelação dessas escutas, o ministro pediu afastamento do cargo, o que ocorreu na quarta-feira.
Medina está sendo investigado pela PF como suspeito de integrar suposta máfia que negociava sentenças judiciais em favor dos bingos.
O STJ ainda aguarda cópia de todo o inquérito, inclusive as escutas telefônicas, para instalar uma sindicância interna. A apuração do caso pelo STJ é administrativa e independe da investigação criminal que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF).
Ontem, em interrogatório com a juíza Ana Paula Vieira de Carvalho, da 6.ª Vara Federal Criminal do Rio, Virgílio Medina negou ser o intermediário entre o irmão e a quadrilha que atuava na compra de sentenças para beneficiar a máfia do jogo. Ele disse ser apenas advogado de uma consultoria que manteve reuniões com Sérgio Luzio e Jaime Dias suspeitos de negociarem a compra de sentenças judiciais.
Nesses encontros, eles teriam negociado a contratação de um outro escritório de advocacia. "Nenhuma delas resultou em qualquer coisa que seja. O que houve foram discussões e especulações sobre situações que não se concretizarem", disse o advogado dele, Renato Tonini.
Ontem, Luzio disse para a juíza que contatou Virgílio sem saber do parentesco dele com Paulo Medina para negociar o pagamento de honorários de R$ 600 mil. Medina concedeu liminar liberando 900 máquinas caça-níqueis apreendidas em Niterói (RJ). Essa liminar foi cassada mais tarde.
"No instante em que Virgílio soube que uma das causas estava a cargo de seu irmão, ele declarou seu impedimento e afirmou que não poderia advogar", afirmou Tonini.
A juíza também ouviu ontem Luiz Paulo Dias de Mattos e Nagib Teixeira Sauid. Mattos é delegado federal acusado de vazar informações que beneficiariam os bingos. Já Nagib é sócio de Julio Guimarães no Barra Bingo.



