
A cidade de São Paulo viveu um dia caótico ontem por causa de uma greve dos metroviários que durou cerca de 14 horas. O índice de congestionamento bateu recorde e chegou a 249 quilômetro às 10 horas. Houve confronto entre policiais militares e passageiros, revoltados com a falta de transporte. Cerca de 5 milhões de pessoas tiveram a locomoção prejudicada. Somente no final da tarde, os grevistas decidiram aceitar a proposta de 6,17% feita pela companhia e encerraram a paralisação.
Ainda pela manhã, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), disse que a greve era política e relacionou o movimento com o calendário eleitoral. "No ano passado, não teve eleição e não teve nenhuma greve. Este ano tem eleição, tem greve. Será que é só coincidência?", questionou.
O governador também afirmou ser grave o "descumprimento de ordem judicial" com a determinação de que 100% da frota circulasse no horário de pico do sistema e 85% no restante do dia. "Determinaram uma greve totalmente absurda. Um grupelho irresponsável", completou. O prefeito Gilberto Kassab (PSD) concordou com Alckmin. "É lamentável os paulistanos pagarem um preço tão alto", disse.
O Sindicato dos Metroviários comemorou a paralisação. "Realizamos uma das maiores greves dos últimos anos, com ampla adesão de todo o quadro de funcionários", disse Altino de Melo Prazeres Júnior, presidente da entidade.
Inicialmente, o Metrô oferecia 4,65% de reajuste. A categoria pedia 20,12% de aumento. Depois de todo o caos da manhã, as partes chegaram ao consenso em uma reunião de conciliação realizada pela Justiça do Trabalho. De acordo com o sindicato, o Metrô se comprometeu a não descontar o ponto dos funcionários que aderiram à greve.
Por toda a cidade, os pontos de ônibus ficaram lotados. O clima ficou tenso na região da Estação Corinthians-Itaquera. Passageiros bloquearam a Avenida Radial Leste e furaram pneus de um ônibus que passava pelo local. A Tropa de Choque da PM dispersou os manifestantes com bombas de efeito moral e balas de borracha. Duas pessoas foram presas e uma mulher se feriu. No Jabaquara, na Região Sul, manifestantes queimaram jornais e papelões e tentaram forçar a porta de entrada da estação. À noite, mais confusão. Mesmo com o fim da greve, passageios pularam as catracas em algumas estações de metrô.







