
As melhorias nas técnicas de transplante para crianças com anemia de Fanconi têm proporcionado maior sobrevida aos pacientes. Por consequência, os médicos estão se voltando a um novo ramo das pesquisas: encontrar formas de melhorar a saúde e a qualidade de vida desses jovens. A anemia de Fanconi é uma doença hereditária que se manifesta por volta dos 7 anos de idade. A única forma de tratamento é o transplante de medula. No entanto, mesmo depois de transplantadas, as crianças ainda têm chance aumentada de desenvolver alguns tipos de câncer, principalmente câncer de boca e leucemia. Uma parceria firmada entre o Hospital de Clínicas e o Dana-Farber Cancer Institute, ligado à Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, pretende estudar os fatores que levam à ocorrência dos tumores e desenvolver formas de detectá-los o mais precocemente possível.
A pesquisa, que ainda precisa passar pela aprovação do comitê de ética do hospital e deve ter início no ano que vem, pretende monitorar cerca de 40 crianças com a doença. "A partir desse acompanhamento, queremos compreender o que leva ao surgimento do câncer e buscar formas de diagnosticar os tumores o quanto antes", explica a coordenadora do Departamento de Transplantes Pediátrico de Medula Óssea, Carmen Bonfim.
Segundo a médica, o entendimento sobre a multiplicação das células cancerígenas nas crianças com anemia de Fanconi pode ajudar para que tratamentos de outros tipos de câncer sejam desenvolvidos. "As descobertas nessa população podem servir de modelo para outras neoplasias", resume. As análises coletadas com os pacientes do HC serão enviadas para estudo nos Estados Unidos. "Esperamos que em dois anos já possamos ter alguns resultados desse estudo", afirma.
Em 25 anos, já foram atendidos pelo serviço de transplante de medula óssea 200 pacientes com anemia de Fanconi. "Nosso paciente mais velho tem hoje 27 anos. É para esses pacientes que trabalhamos nessa pesquisa, para evitar que eles tenham complicações com o câncer", conta Carmen.




